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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Estava lendo uma matéria no UOL de uma revista chamada Prospect Magazine. Coisas interessantes do mundo da ciência. A matéria fala sobre as mais contemporâneas teorias acerca do funcionamento, da origem e do fim do universo. Um dos dados interessantes é que o estudo do espaço sideral já constatou a idade real do nosso universo: 13, 7 bilhões de anos, com uma margem de erro de um por cento.

Note que eu falei em nosso universo, já que é cada vez maior o número de cientistas que defendem a existência de multiuniversos e de um hiperespaço que os uniria de alguma maneira. A matéria fala um pouco sobre a teoria das cordas e as idéias acerca dos chamados buracos de minhoca.

O ponto preocupante para a vida inteligente diz respeito à expansão do universo, noção desenvolvida por Hubble, cientista que deu nome ao megatelescópio que olha o céu por nós da órbita da Terra. Por essa teoria, que cada dia se comprova mais, a expansão vai parar em algum momento daqui a bilhões anos. E o universo vai, literalmente, congelar. As partículas, todas elas, vão parar. E a vida inteligente vai cessar neste universo.

Segundo a ciência, é lei natural a vida se adaptar, fugir ou morrer diante de um cataclisma como esse. Como nenhum ser inteligente quer morrer e como se adaptar será impossível porque este universo vai parar, a idéia é fugir. Fugir para outro lugar, outro universo. Que viagem louca seria essa!

Contei toda essa história porque lê-la me fez recordar a proposta reggaeira do ministro Gil. O universo vai morrer, um dia. E a ciência nos diz que deveremos fugir. Fugir para outro lugar.

Vamos fugir

(Gilberto Gil)

Vamos fugir
Deste lugar, baby
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue
Vamos fugir
Proutro lugar, baby
Vamos fugir
Pronde quer que você vá
Que você me carregue
Pois diga que irá
Irajá, Irajá
Pronde eu só veja você
Você veja a mim só
Marajó, Marajó
Qualquer outro lugar comum
Outro lugar qualquer
Guaporé, Guaporé
Qualquer outro lugar ao sol
Outro lugar ao sul
Céu azul, céu azul
Onde haja só meu corpo nu
Junto ao seu corpo nu
Vamos fugir
Proutro lugar, baby
Vamos fugir
Pronde haja um tobogã
Onde a gente escorregue
Todo dia de manhã
Flores que a gente regue
Uma banda de maçã
Outra banda de reggae

Comentários

  1. Faço Mestrado em LA na UFBA (Federal da Bahia). Sou professor de inglês e trabalharei com Aquisição de Escrita na sala de aula de língua estrangeira...

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