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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Estava lendo uma matéria no UOL de uma revista chamada Prospect Magazine. Coisas interessantes do mundo da ciência. A matéria fala sobre as mais contemporâneas teorias acerca do funcionamento, da origem e do fim do universo. Um dos dados interessantes é que o estudo do espaço sideral já constatou a idade real do nosso universo: 13, 7 bilhões de anos, com uma margem de erro de um por cento.

Note que eu falei em nosso universo, já que é cada vez maior o número de cientistas que defendem a existência de multiuniversos e de um hiperespaço que os uniria de alguma maneira. A matéria fala um pouco sobre a teoria das cordas e as idéias acerca dos chamados buracos de minhoca.

O ponto preocupante para a vida inteligente diz respeito à expansão do universo, noção desenvolvida por Hubble, cientista que deu nome ao megatelescópio que olha o céu por nós da órbita da Terra. Por essa teoria, que cada dia se comprova mais, a expansão vai parar em algum momento daqui a bilhões anos. E o universo vai, literalmente, congelar. As partículas, todas elas, vão parar. E a vida inteligente vai cessar neste universo.

Segundo a ciência, é lei natural a vida se adaptar, fugir ou morrer diante de um cataclisma como esse. Como nenhum ser inteligente quer morrer e como se adaptar será impossível porque este universo vai parar, a idéia é fugir. Fugir para outro lugar, outro universo. Que viagem louca seria essa!

Contei toda essa história porque lê-la me fez recordar a proposta reggaeira do ministro Gil. O universo vai morrer, um dia. E a ciência nos diz que deveremos fugir. Fugir para outro lugar.

Vamos fugir

(Gilberto Gil)

Vamos fugir
Deste lugar, baby
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue
Vamos fugir
Proutro lugar, baby
Vamos fugir
Pronde quer que você vá
Que você me carregue
Pois diga que irá
Irajá, Irajá
Pronde eu só veja você
Você veja a mim só
Marajó, Marajó
Qualquer outro lugar comum
Outro lugar qualquer
Guaporé, Guaporé
Qualquer outro lugar ao sol
Outro lugar ao sul
Céu azul, céu azul
Onde haja só meu corpo nu
Junto ao seu corpo nu
Vamos fugir
Proutro lugar, baby
Vamos fugir
Pronde haja um tobogã
Onde a gente escorregue
Todo dia de manhã
Flores que a gente regue
Uma banda de maçã
Outra banda de reggae

Comentários

  1. Faço Mestrado em LA na UFBA (Federal da Bahia). Sou professor de inglês e trabalharei com Aquisição de Escrita na sala de aula de língua estrangeira...

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