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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio.

Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada.

Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal.

Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir.

Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento.

Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida.

A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender tudo que fazemos para permanecer e ter sentido.

Olho no relógio e já são 31 minutos de 3 de maio. Esse já é meu dia. A vida é uma força de sentido que me orienta e me anima. A vida me empurra a viver.

Tenho pensado sobre a morte. Dez anos atrás era tudo o que queria. Hoje ela me mostra que a vida é tudo o que vale de verdade. A vida, clareou, e me empurra a viver.

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