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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Ontem fechou-se um ciclo na minha vida. No encerramento da reunião do Presbitério foram licenciados meus ex-colegas de seminário Adriano, Erivan e Alberto. No momento em que eles estavam lá na frente da Igreja em Felipe Camarão, prontos para a cerimônia, Amariles me disse: Você estaria aí, não é?. E automaticamente eu me toquei que não.
Se eu tivesse prosseguido no seminário, mesmo um semestre depois de todo o meu rolo com Raquel, de minha disciplina; mesmo que eu tivesse terminado o seminário, me apercebi ontem que teria posto fim ao meu ministério. Se hoje eu ainda tenho algum ministério, se ainda sirvo ao Senhor, é porque Ele me tirou de lá e não permitiu terminar o curso. Se eu tivesse prosseguido, possivelmente hoje seria eu, e não Juninho, que estaria com o diploma debaixo do braço mas sem ministério. Eu sou grato a Deus por tudo isso.
Como sei que um abismo chama outro abismo, sei que estaria charfundando em uma lama infecta de pecado hoje se tivesse conduzido minha vida pelo caminho que ela ia. Mas sou eternamente grato a Deus pelo cuidado e livramento que Ele me concedeu.
No entanto, hoje pela manhã me apercebi enquanto orava, que apenas por um milagre de Deus eu terminarei algum dia o curso de teologia. Minha vida está refeita e está feita sobre novas bases. Meu ministério se firma na Rocha Eterna. Minha vida acadêmica me empolga e me faz sonhar com a conclusão do mestrado, com o futuro doutorado. A não ser que Deus intervenha de alguma forma, hoje estou certo de que o curso de teologia ficou no passado, dois anos atrás...

Comentários

  1. Daniel,
    Terminei o Seminário e formei-me sábado. A conclusão? o seminário não é nada senão uma construção histórica que representa o fracasso da religião atual de dar conteúdo (e não papinha de criança) a seus membros que querem servir com algumas ferramentas a mais.
    Vi uma entrevista do Mainardi (não sei se é assim q se escreve o nome daquele colunista da Veja). Disse q, em Londres, preferiu ficar lendo livros do q fazer uma universidade. Construção histórica do fracasso... duro? não. apenas real. paro aqui... vando

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  2. Eu sempre achei que você não voltaria ao seminário, Daniel. Era uma certeza interna que tinha. Agora está tudo mais claro. Boa sorte.
    Gustavo (do J.U.)

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