Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Ontem fechou-se um ciclo na minha vida. No encerramento da reunião do Presbitério foram licenciados meus ex-colegas de seminário Adriano, Erivan e Alberto. No momento em que eles estavam lá na frente da Igreja em Felipe Camarão, prontos para a cerimônia, Amariles me disse: Você estaria aí, não é?. E automaticamente eu me toquei que não.
Se eu tivesse prosseguido no seminário, mesmo um semestre depois de todo o meu rolo com Raquel, de minha disciplina; mesmo que eu tivesse terminado o seminário, me apercebi ontem que teria posto fim ao meu ministério. Se hoje eu ainda tenho algum ministério, se ainda sirvo ao Senhor, é porque Ele me tirou de lá e não permitiu terminar o curso. Se eu tivesse prosseguido, possivelmente hoje seria eu, e não Juninho, que estaria com o diploma debaixo do braço mas sem ministério. Eu sou grato a Deus por tudo isso.
Como sei que um abismo chama outro abismo, sei que estaria charfundando em uma lama infecta de pecado hoje se tivesse conduzido minha vida pelo caminho que ela ia. Mas sou eternamente grato a Deus pelo cuidado e livramento que Ele me concedeu.
No entanto, hoje pela manhã me apercebi enquanto orava, que apenas por um milagre de Deus eu terminarei algum dia o curso de teologia. Minha vida está refeita e está feita sobre novas bases. Meu ministério se firma na Rocha Eterna. Minha vida acadêmica me empolga e me faz sonhar com a conclusão do mestrado, com o futuro doutorado. A não ser que Deus intervenha de alguma forma, hoje estou certo de que o curso de teologia ficou no passado, dois anos atrás...

Comentários

  1. Daniel,
    Terminei o Seminário e formei-me sábado. A conclusão? o seminário não é nada senão uma construção histórica que representa o fracasso da religião atual de dar conteúdo (e não papinha de criança) a seus membros que querem servir com algumas ferramentas a mais.
    Vi uma entrevista do Mainardi (não sei se é assim q se escreve o nome daquele colunista da Veja). Disse q, em Londres, preferiu ficar lendo livros do q fazer uma universidade. Construção histórica do fracasso... duro? não. apenas real. paro aqui... vando

    ResponderExcluir
  2. Eu sempre achei que você não voltaria ao seminário, Daniel. Era uma certeza interna que tinha. Agora está tudo mais claro. Boa sorte.
    Gustavo (do J.U.)

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas