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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Esta tarde eu não tive aula mas fui assistir a uma palestra na Universidade. O professor Ítalo Monricone falava sobre O espectro de Foucault. Espectro deve ser entendido aqui como fantasma, presença de Foucault no pensamento ocidental. Um dos maiores filósofos franceses do século XX morreu em 1984. Uma das primeiras vítimas famosas do HIV. Adquirido em alguma das farras orgiásticas das quais tomava parte. Acham que boa parte da revolução do pensamento dele se devia ao fato de ser homossexual.
Eu levei dez minutos para que meu cérebro se adaptasse ao ambiente e eu pudesse compreender alguma coisa do que o palestrante falava. Fala de nível muito elevada mesmo. Apenas no fim, quando ele falava, e enfatizava dramaticamente, sobre o final Foucault, as coisas ficaram absolutamente palatáveis.
No meio tempo, deu para perder oitenta reais com algum problema de comunicação do Ourocard. A máquina me disse que a operação não havia sido realizada e eu não recebi o dinheiro. O cartão debitou a quantia. Registrei a ocorrência na Ouvidoria do BB. Vamos ver no que é que dá.

Comentários

  1. Olá, estou visitando seu blog pela primeira vez (nem é tão inesquecível quanto dizem)
    Gosto do pensamento de Foucault, e foi um boa coincidencia encontrar seu nome (f) no seu ultimo post
    gostei do titulo do blog tambem
    um abraço
    Al

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  2. Al,
    não entendi: disseram que meu blog era inesquecível?
    quem disse?

    obrigado pela visita e volte outras vezes.

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  3. Me desculpe, me expressei mal, quis me referir a expressão " a primeira vez a gente nunca esquece".
    Gostei do post, li Vigiar e Punir, A história da sexualidade um, e Foucault e seus contemporâneos, de didier eribon, além de trechos de metafísica do poder e história da loucura...
    Gosto de ler mais os filósofos franceses, pelo jeito que comunicam (nada contra os alemãos). Ex: Gaston Bachelard, Camus (argelino), Pierre Bourdieu, Sartre e tal.
    Mas agora Foucault não faz tanto minha cabeça apesar de manter certos conceitos dele que são bem bons, como a eliminação de uma visão dualista de opressores e oprimidos, promovidos por marxistas e neo-marxistas, como Althusser.
    Um abraço
    Al
    www.algebrim.blogdrive.com
    Mas agora, nem

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