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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Esta tarde eu não tive aula mas fui assistir a uma palestra na Universidade. O professor Ítalo Monricone falava sobre O espectro de Foucault. Espectro deve ser entendido aqui como fantasma, presença de Foucault no pensamento ocidental. Um dos maiores filósofos franceses do século XX morreu em 1984. Uma das primeiras vítimas famosas do HIV. Adquirido em alguma das farras orgiásticas das quais tomava parte. Acham que boa parte da revolução do pensamento dele se devia ao fato de ser homossexual.
Eu levei dez minutos para que meu cérebro se adaptasse ao ambiente e eu pudesse compreender alguma coisa do que o palestrante falava. Fala de nível muito elevada mesmo. Apenas no fim, quando ele falava, e enfatizava dramaticamente, sobre o final Foucault, as coisas ficaram absolutamente palatáveis.
No meio tempo, deu para perder oitenta reais com algum problema de comunicação do Ourocard. A máquina me disse que a operação não havia sido realizada e eu não recebi o dinheiro. O cartão debitou a quantia. Registrei a ocorrência na Ouvidoria do BB. Vamos ver no que é que dá.

Comentários

  1. Olá, estou visitando seu blog pela primeira vez (nem é tão inesquecível quanto dizem)
    Gosto do pensamento de Foucault, e foi um boa coincidencia encontrar seu nome (f) no seu ultimo post
    gostei do titulo do blog tambem
    um abraço
    Al

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  2. Al,
    não entendi: disseram que meu blog era inesquecível?
    quem disse?

    obrigado pela visita e volte outras vezes.

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  3. Me desculpe, me expressei mal, quis me referir a expressão " a primeira vez a gente nunca esquece".
    Gostei do post, li Vigiar e Punir, A história da sexualidade um, e Foucault e seus contemporâneos, de didier eribon, além de trechos de metafísica do poder e história da loucura...
    Gosto de ler mais os filósofos franceses, pelo jeito que comunicam (nada contra os alemãos). Ex: Gaston Bachelard, Camus (argelino), Pierre Bourdieu, Sartre e tal.
    Mas agora Foucault não faz tanto minha cabeça apesar de manter certos conceitos dele que são bem bons, como a eliminação de uma visão dualista de opressores e oprimidos, promovidos por marxistas e neo-marxistas, como Althusser.
    Um abraço
    Al
    www.algebrim.blogdrive.com
    Mas agora, nem

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