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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

O dia em que o Som da Mata deixou de existir para mim

Nossa história tem dois personagens.
O primeiro é o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus.  Com atuação na Casa de Dom Inácio, em Abadiânia (GO), desde o fim do ano passado o médium foi desmascarado por uma série de denúncias de abuso sexual e estupro de mulheres que buscaram seu apoio espiritual. João é denunciado também por outros crimes, inclusive homicídio.
A ativista Sabrina Bittencourt, que ajudou a reunir o depoimento de mulheres que foram vítimas de João de Deus, suicidou-se em fevereiro.
João tem 76 anos e está preso.
O outro personagem é o produtor cultural de Natal, Marcos Sá de Paula, responsável pelos projetos Som da Mata e Bosque Encena (que ocorrem no Parque Estadual Dunas de Natal, o Parque das Dunas, aos domingos) e pelo Bloco Submarino Amarelo.
Marcos costuma publicar muitas piadas em seu perfil no Instagram. Há alguns dias, Marcos julgou conveniente publicar uma piada sobre João de Deus e suas vítimas. Reagi, afirmando que estupro e violência sexual não são piadas.  Ele disse que eu podia deixar de seguir.
Claro que deixo de seguir.
Assim como naquele dia todos os projetos culturais de Marcos Sá de Paula deixaram automaticamente de existir - e no que depender de mim, não mais prestigiarei e convencerei amigos artistas e público a nunca mais se fazerem presentes.
Inacreditável que alguém ache engraçado fazer piadas com estupro e ainda atue com soberba sem reconhecer o quão desumano é tal prática.

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