Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Presidente expõe no Twitter formandos da UNIRN que se manifestaram em baile



No início dessa semana começou a circular um vídeo em que dois estudantes de direito da UNIRN, em Natal, participam de sua festa de formatura e, ao som, de uma versão de Bella Ciao, hino antifascista italiano, com a letra #EleNao, popularizada na última campanha eleitoral, descerram uma faixa em que podemos ler "Fascistas, Racistas, Machistas e Homofóbicos: Não passarão!"
Na manhã de hoje, o presidente da República usou o twitter e o instagram para atacar a manifestação dos jovens.  Compartilhando o vídeo, editado junto com uma fala de Olavo de Carvalho, falou em doutrinação ideológica nas instituições de ensino formando militantes e não cidadãos, como se fossem coisas distintas uma da outra. "É preciso quebrar essa espinha para o futuro saudável do Brasil", concluiu.


O presidente parece assumir a carapuça como alvo do protesto - terá reconhecido que é, sim, fascista, racista, machista e homofóbico?
Fragiliza ainda mais o argumento - fascista porque pretende silenciar o direito à manifestação política nas universidades -  o fato de que, ao contrário do que ele parece imaginar, os jovens se formaram em um universidade privadacom forte contingente de seus eleitores.
Ser cidadão é também ter uma visão crítica do mundo e ter o direito de crer defender e lutar pelas ideias e causas que queira lutar, não apenas aquelas em acordo com o governo da ocasião. Esse patrulhamento das ideias é típico dos regimes autoritários, da falta de liberdade política. Pensamento-crime é crime no universo distópico de George Orwell em "1984". Leitura cada vez mais importante.
Formar-se cidadão com bom senso e preparado, senhor presidente, é também formar-se com consciência crítica, política e social.
Querer calar essa possibilidade é um dos traços do fascismo.
Expor publicamente nas redes sociais dois jovens, como fez o presidente, pintando neles um alvo nessa cruzada insana que ele estimula, também.

Comentários

Postagens mais visitadas