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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Comunicação e democracia



Em um mundo em que, cada vez mais, o universo da pós-verdade e as fake news influenciam as decisões sociais e políticas, parece necessário refletir sobre as relações entre comunicação e democracia.

Mentiras produzidas ou propagadas por meio das mídias, convencionais ou sociais, ao influenciar a opinião pública e a decisão política do cidadão representam uma ameaça à democracia. Independente de qual seja sua noção de democracia e de comunicação.

E independente do que você pense acerca de democracia e de comunicação não parece haver muita dúvida de que a comunicação é um pilar para a democracia: só há democracia quando a comunicação é livre, diversa e plural. Só há comunicação livre, diversa e plural quando há democracia. Um bom termômetro de uma coisa e da outra.

Este blog já realizou grandes coberturas imaginando ser possível com isso contribuir para a democracia: Sinal Fechado, Pecado Capital, Assepsia. O blogueiro já foi ameaçado, atacado por colunistas, processado, já encontrou um grampo no seu telefone fixo domiciliar. Falar sobre os temas que falava importava para a democracia. Do outro lado havia agentes pouco interessados em democracia.

Estudos mostram, por sua vez, que a mídia pode ser usada para fragilizar a democracia. Por exemplo: quando a mídia reforça o discurso de que "bandido bom é bandido morto" ataca os fundamentos da democracia - afinal, não é democrático um sistema em que alguém tem mais direito que outro à vida. A decorrência disso seria a opinião pública valorizar menos a democracia e apoiar saídas autoritárias.

Soa familiar?

Em países como o Reino Unido e os EUA há mecanismos legais que visam proteger a democracia contra a mídia. No Brasil, nossa Constituição Federal tem um capítulo sobre comunicação em que praticamente não houve regulação. Um dos itens não regulamentados diz respeito à proibição do monopólio e do oligopólio de mídia - quem detiver o monopólio nos meios de comunicação tem muito mais condições de manipular a opinião pública, oferencendo uma única visão de mundo possível ao cidadão. A morte da diversidade e do pluralismo significa a morte da democracia.

O que fazer?

A UFRN, como exemplo, inaugurou o Observatório de Mídia Amaru. A preocupação do Amaru é monitorar as violações de leis e direitos humanos nos meios de comunicação que são concessões públicas (rádio e tevê). Como parte do trabalho, as últimas turmas de Ética Jornalística, com base neste material do Intervozes, tem feito trabalhos de monitoramento de violações na mídia potiguar. Outros grupos e turmas da UFRN têm feito ações ligadas a esse trabalho, como oficinas em escolas públicas. Os nossos relatórios têm sido encaminhados para os Ministérios Públicos estadual e federal para providências.

A crítica ética do comportamento da mídia é, por sua vez, também fundamental na defesa da democracia. De uma democracia a cada dia mais ampla, diversa, plural.

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