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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

ENEM: seus inimigos, os filósofos franceses e o hino do Flamengo na redação

Enem

O ENEM tem inúmeros inimigos. Alguns apresentam argumentações ideológicas, outros têm razões econômicas para se pôr contra o Exame. Boa parte questiona o rito pelo que representa de democratização de acesso ao ensino superior no Brasil porque defende ainda um modelo de educação que privilegia as classes altas em prejuízo aos mais pobres.

O ENEM deste ano destacou 250 alunos que conseguiram nota máxima na prova de redação.  Boa parte deles, nordestinos. Este texto do G1 apresenta dois meninos de Sergipe, o menor estado brasileiro. Lucas Almeida Francisco, de 17 anos, estudou no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe e citou Pierre Bourdieu e Michel Foucault no seu texto sobre publicidade infantil.

Lorena Barreto Araújo, de 19 anos, de Moita Bonita (SE), também citou Bourdieu: "Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica".

Aí eu descubro, em um grupo da UFRN no Facebook, a história de Francisco Elias da Silva, que aos 26 anos, aluno do curso de Licenciatura em Informática do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) no Campus de Ipanguaçu, resolveu fazer o ENEM.

A pessoa que fez a publicação critica o ENEM pelo fato de Francisco ter tirado 660 na redação "escrevendo trechos do hino do Flamengo".  Absurdo?  Nem tanto.

Bastava ler o texto do rapaz [na imagem acima], reproduzido no blog citado: "A influência do que a criança aprende é tão grande, que eu me lembro de um hino que eu ouvi passando na tevê e canto ele [sic] até hoje, letra por letra.  Diz assim: Uma vez Flamengo, sempre Flamengo, Flamengo sempre eu ei [sic] de ser, é meu prazer vêlo [sic] brilhar, seja na terra, seja no mar, vencer, vencer, vencer, uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!"

Não é preciso muito esforço para perceber que Francisco não incluiu o hino do Flamengo aleatoriamente no texto, mas utilizou-o como ilustração para um ponto válido de sua argumentação.  Os problemas do texto de Francisco não dizem respeito ao uso do hino, mas ao uso da norma culta da língua portuguesa, que apresenta vários problemas nesse pequeno trecho. Seria problemático, com tantas falhas, se Francisco tivesse tirado nota máxima. Não foi o caso.

Para quem quer achar chifre em cabeça de cavalo qualquer coisa serve.

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