Por Renato Rovai
A
operação Lava Jato, segundo pessoas que tiveram algum tipo de acesso ao
processo, tem provas substanciais e vai levar muita gente à cadeia. A
Polícia Federal teria feito um trabalho que deixa pouca margem à defesa e
por isso a grande quantidade de delações premiadas. Quando o réu se vê
frente ao que já se acumulou de informaçõe sobre os crimes que cometeu,
abre o bico para tentar se livrar de uma imensa pena. A despeito de quem
possa vir a ser punido, esse é o papel da PF. A mesma Polícia Federal
indiciou ontem 33 pessoas no caso do trensalão tucano de São Paulo.
Também cumprindo seu papel de investigar.
As diferenças entre um caso da PF e o outro não parece ser o processo
de investigação, mas os vazamentos seletivos por um lado e a forma como
a mídia tradcional aborda cada um deles.
Hoje, por exemplo, todos os grandes jornais do país dão manchetes
buscando incriminar o partido de qualquer forma na Operação Lava Jato. O
gancho é o depoimento de Augusto Mendonça, do grupo Toyo Setal, de que
teria doado recursos de propina para o caixa oficial do partido. Ao
contrário do que toda as reportagens destacam, no entanto, o executivo
teria de fato dito que se encontrou com o tesoureiro do PT, João
Vaccari, para finalizar a operação, mas acrescentou que “na ocasião não
informou a Vaccari que as doações estavam sendo feitas a pedido do então
diretor de Serviços da Petrobras”. Ou seja, a ser verdade que houve
doação por caixa 1 que poderia envolver propina, o que é praticamente
impossível de se comprovar, o tesoureiro do PT não fez nenhum tipo de
acerto com o doador. E isso, segundo, o delator do caso.
Mas Vaccari está sendo achincalhado e transformado em bandido por
todos os veículos de comunicação. Ao mesmo tempo nenhum dos 33
indiciados ontem no caso do trensalão tucano teve seu nome citado nas
reportagens dos veículos tradicionais. E o caso não ganhou nem destaque
nas capas desses jornais. Aliás, o único nome citada nas matérias é o de
José Serra, para dizer que “investigado ele não foi indiciado”.
Ou seja, no caso de uma investigação que envolve tucanos, só o
inocentado é citado. No caso petista, alguém que nem é citado é
criminalizado.
Há uma clara desproporção nas coberturas. E ha também uma intenção
clara por trás delas. O PT é um inimigo a ser derrotado pela mídia
tradicional. E neste momento o principal objetivo não é nem criar clima
para um impeachment de Dilma, porque essa operação careceria de outras
condicionantes. Impeachment não é apenas uma operação jurídica, ele
também precisa de condições políticas.
Ao que parece o objetivo é o de colocar o PT ou na completa
ilegalidade ou o de lhe imputar multas tão altas que praticamente o
inviabilizem. A operação em curso (há algum tempo aliás) é a de derrotar
o PT. Dilma seria algo para o futuro. E talvez até se tornasse uma
operação desnecessária se ficasse completamente amarrada a se defender
das acusações e visse seu partido completamente destruído.
O PT, independente de ter a presidência da República e cinco
governadores, hoje é um partido muito mais fraco do ponto de vista
simbólico do que já foi no passado. E também por isso se tornou um alvo
fácil para qualquer denúncia. Tudo cola no partido.
E isso tem relação com o fato de em outros momentos a agremiação ter
se acomodado na defesa de dirigentes que foram acusados sem provas por
um lado e ter sido leniente com outros filiados que claramente estavam
envolvidas em ilicitos. O partido parece ter percebido isso e nos
últimos tempos e mudou sua postura. Mas sua ação ainda é tímida.
O que vem pela frente é uma avalanche de acusações para incriminar o
PT. O alvo ainda não é Dilma. Ela é o bode na sala. Enquanto petistas
estiverem preocupados em defendê-la, o partido vai sendo desgastado e
demolido. Até que ninguém terá mais coragem para defendê-lo.
Na última eleição muitos jovens ousaram colocar a estrela vermelha do
PT no peito. Pode ter sido a última vez se a direção do partido não
tiver coragem de enfrentar essa batalha com coragem e determinação. E ao
mesmo tempo não tiver a ousadia de abrir mais espaços para novas
lideranças que batam com firmeza no peito e defendam a história de um
projeto que, com altos e baixos, não pode ser tratado e nem se deixar
tratar como uma organização criminosa.
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