Há pouco li um comentário no Facebook - sobre o qual não sabia se ria ou chorava da ignorância de quem o fez. Dizia: "nós que somos conscientes e lemos jornal", para defender a argumentação em favor de se votar em Marina.
A auto-afirmação de consciência me parece arrogante demais. E quando você vincula essa afirmação à leitura de jornais, a frase se torna problemática. Como ser consciente lendo jornais?
O Globo de hoje publica uma denúncia contra Dilma Rousseff.
Afirma que Paulo Roberto Costa não foi demitido por ela, mas se demitiu da Petrobras. Uma bobagem na tentativa de segurar o crescimento de Dilma e impedir sua reeleição.
Sabe quem desmente O Globo? O próprio Globo.
Veja o que o jornal publicou em 26 de abril de 2012, sobre a demissão de Paulo Roberto Costa (dica de Mirtes Pinto, no twitter):
Partidos se irritam com mudanças feitas por Graça na Petrobras
A Petrobras confirmou na quinta-feira a saída de três dos
sete diretores do quadro: Paulo Roberto Costa, de Abastecimento; Renato
Duque, de Engenharia; e José Zelada, da área Internacional. Eles se
despediram do comando da empresa na reunião da diretoria pela manhã.
A saída de Duque e Zelada ocorreu a pedido de ambos. Mas
Costa, indicado pelo PP, saiu por decisão da presidente Graça Foster.
Seu afastamento pegou o partido de surpresa e provocou a ira da legenda,
que está “em revolução”, segundo políticos ligados ao PP.
Mudanças foram definidas após consulta a Dilma
Com as mudanças, da gestão de José Sergio Gabrielli resta
apenas o diretor financeiro, Almir Barbassa. Segundo parlamentares com
trânsito na empresa, a nova presidente da Petrobras — à frente da
estatal desde fevereiro — já pretendia fazer as substituições logo que
assumiu. As mudanças de agora foram definidas por Graça depois de pelo
menos dois encontros em Brasília, inclusive com a presidente Dilma
Rousseff.
O problema, na visão do PP, não estaria na demissão de Paulo
Roberto Costa propriamente dita, mas no fato de o partido ter tomado
conhecimento da decisão pelos jornais. Se o seu desligamento não era
esperado pela legenda, dentro do governo Costa já era considerado a
“bola da vez” há algum tempo, porque estaria “muito soltinho”.
— O setor político indica e a administração demite. (O
governo) não precisa dar satisfação ou explicar os seus motivos. Mas tem
que fazer com educação. Saber pelos jornais é muito ruim — disse uma
fonte ligada ao partido.
A dança das cadeiras da maior empresa do país e terceira
maior companhia de energia do mundo também causou alvoroço na cúpula do
PMDB, que pretende ampliar seu espaço na estatal, aproveitando esse
momento em que o partido considera ter o governo nas mãos, sobretudo
depois de instalada a CPI do Cachoeira. O PMDB, responsável pela
indicação de Jorge Zelada, considera não apenas a possibilidade de
indicar o sucessor como também outro nome na cúpula da Petrobras.
O partido está insatisfeito com o fato de a presidente
pretender vetar o texto do novo Código Florestal aprovado na Câmara e
cogita uma compensação por meio de mais espaço na estatal. Para não
causar mais atritos com o PMDB, o governo aceita conversar sobre o
substituto de José Zelada da área internacional. Mas a indicação terá
que ser técnica, disse uma fonte com trânsito no Palácio do Planalto.
O diretor de Serviços e Engenharia, Renato Duque, já havia
avisado que queria deixar o cargo. Sua saída vinha sendo negociada desde
o ano passado. Mas, a pedido do ex-presidente da estatal José Sergio
Gabrielli, concordou em ficar até o fim de 2012. A presidente Dilma
também teria pedido que o executivo ficasse, mas com a saída dos demais
diretores, Duque pediu para sair também.
Substituições nas mãos do ministro Lobão
As substituições estão sendo tratadas pelo ministro de Minas
e Energia, Edison Lobão, que passou o dia de ontem no Rio. Os nomes dos
novos diretores são mantidos em sigilo, mas tudo indica que serão
adotadas soluções internas, com executivos da própria Petrobras. Lobão
preferiu não comentar as mudanças.
Um executivo em cargo de diretoria da Petrobras recebe pelo
menos R$ 1,12 milhão por ano. No ano passado, a remuneração máxima
chegava a R$ 1,6 milhão por ano, segundo documento enviado pela estatal à
Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Costa afirmou à Reuters ontem que estava deixando a estatal
sem saber o motivo da saída. A Petrobras informou, por meio de sua
assessoria de imprensa, que não iria comentar o assunto.
Comentários
Postar um comentário