Por Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
Teremos um Estado a serviço dos pobres ou dos ricos?
Um Estado para a elite paulista, ou para as maiorias? Esse é o centro da
disputa. E os tucanos sabem que essa disputa está perdida. Então,
apelam para o moralismo seletivo.
O PT não é um partido de santos. Há gente boa e ruim ali – como em toda parte.
Mas você já reparou que, em toda eleição, há sempre uma onda de denúncias contra o PT? E só contra o PT?
Onde estão as investigações sobre os trens de São Paulo? Sobre a
privatizações tucanas? Jamais prosperaram. Agora, a 15 dias da eleição,
surge a delação premiada de um réu desesperado – jogando lama sobre
Dilma, Lula e o PT como um todo. Não há chance de responder. Não. O rolo
compressor midiático está acionado.
Beira o ridículo dizer que todo o problema do Brasil “é a corrupção
do PT”. Não há corruptores? E os empresários? Não há uma reforma
Política a fazer. Não.
Esse moralismo todo encobre o debate maior: teremos um Estado a
serviço dos pobres ou dos ricos? Um Estado para a elite paulista, ou a
serviço das maiorias? Esse é o centro da disputa. E os tucanos sabem que
essa disputa está perdida. Então apelam para o moralismo seletivo.
Nada disso é novo: a ferramenta contra governos trabalhista sempre
foi essa. Vargas foi tratado como um “bandido a acobertar criminosos”.
Vejam bem: Vargas, o maior presidente da história brasileira foi cercado
no Palácio por um boçal chamado Carlos Lacerda… Há 5 ou 6 anos, FHC
lamentou que não tivéssemos um Lacerda no século XXI. Na verdade, temos
sim: dezenas de lacerdinhas espalhados pelos jornais, rádios e revistas
da marginal.
O círculo se fecha. E o bombardeio vai durar 15 dias.
O PT contava com a campanha de João Santana pra equilibrar o jogo:
uma campanha da marquetagem. Só que o PSDB terá os mesmos 10 minutos na
TV até o dia 26 – e mais a Globo, a Veja, todos os portais de internet,
além das manchetes de jornal e rádio. Terá tudo… E esse discurso de que
“é preciso varrer a quadrilha dos corruptos” ecoa pela internet.
Aqui, nos blogs, cansamos de dizer que o maior inimigo do projeto
trabalhista no Brasil é a mídia velhaca. A diretora da Associação
Nacional de Jornais (ANJ) disse, em 2009: “na falta de partidos de
oposição, a imprensa virou o partido de oposição”. A mídia velhaca
produz o conteúdo que depois se espalha pelas redes e pelas ruas.
Em 2010, blogs de esquerda conseguiram oferecer um contraponto à
ofensiva da Globo de Ali Kamel e de Serra. Nunca mais isso acontecerá.
Por que? Porque a elite e o PSDB nunca mais serão pegos de surpresa:
criaram sua própria rede, e já atuaram fortemente nas redes em junho de
2013.
A Globo deu o roteiro para o Mensalão. A Globo criou os “aloprados”
petistas em 2006. A Globo e seus parceiros midiáticos vão ecoar o
escândalo da Petrobrás agora em 2014. Um escândalo de boca-de-urna.
Seria mais fácil enfrentar essa onda, se o PT tratasse a Globo, a
Veja e outros como os inimigos que são. Brizola sempre fez isso. Requião
sempre fez, no Paraná.
Dilma foi-se confraternizar com a Globo depois de eleita. Fez omelete
com Ana Maria Braga, visitou a Folha, acreditou em relações
“republicanas”. Os ministros petistas legitimam a Veja: correm para as
páginas amarelas. Um candidato a governador petista, em conversa com
blogueiros, disse que “não abria mão de ter uma boa relação com a
imprensa”.
Sei… Na campanha, ele descobriu que relação é essa.
Agora, a onda vem forte como nunca.
Em 1954, a imprensa emparedou Vargas. Em 1964, emparedou Jango. Em 2014, Lula e o PT – com Dilma – estão emparedados.
Assistimos ao mais duro cerco conservador no Brasil, desde 1964. E há
quem prefira se omitir, não escolha lado e se refugie no voto nulo.
O discurso – hoje – é o mesmo de sempre: tirar do poder os “corruptos”.
A elite brasileira assumiu toda sua ferocidade. O fascismo avança.
É preciso enfrentar a onda. Ainda que a direção partidária que teria a
obrigação de tomar à frente da batalha prefira “conversar” e legitimar
os inimigos.
É preciso, pelas frestas que restam, mostrar que o discurso de “fora
corruptos” e “vamos mudar tudo” encobre uma disputa de projetos.
Só isso permitirá romper o círculo conservador.
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