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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Nota pública da Compolítica a respeito da última edição da Revista Veja

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica) vem, por meio de sua diretoria, repudiar publicamente a Revista Veja pela conduta irresponsável, como veículo jornalístico, às vésperas das eleições presidenciais de 2014. Como é de conhecimento público, a revista estampou em sua capa manchete e fotos implicando de forma taxativa dois presidentes em um grave escândalo de corrupção, publicando a edição um dia antes do normal e tornando-se, assim, material de campanha para um dos lados da disputa. Fez isso baseando-se em vazamentos de acusações de um criminoso em processo de delação premiada que deveriam servir à justiça para novas investigações - inaceitáveis como prova a ser publicada como verdade. Consideramos que a revista agiu de forma irresponsável, incompatível com o grau de amadurecimento de nossas instituições e punida judicialmente pelo próprio TSE com direito de resposta e multa. Como associação científica que pesquisa justamente a relação entre comunicação e política, expressamos nossa preocupação com a recorrência de fatos como este, em que emissores privados se valem da legitimidade conferida pela opinião pública à imprensa para divulgar material que não segue os preceitos éticos mínimos e boas práticas do ofício, para além das preferências ideológicas. Para que a vontade popular possa se expressar, é necessário garantiir que o respeito ao processo democrático seja um limite ao arbítrio dos controladores dos meios de comunicação. É necessário, também, que o Brasil avance na direção de um sistema de mídia mais plural e mais democrático, com mais respeito à divergência e espaço para o debate. O direito democrático da livre expressão pública implica responsabilidade política - além de jurídica. É coisa muito séria e esperamos que nossa manifestação a respeito possa contribuir com o necessário debate que, quem sabe, a presidente reeleita ousará, finalmente, favorecer neste mandato.

Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2014.

Alessandra Aldé - presidente

Luis Felipe Miguel - vice-presidente

Francisco Paulo Jamil Marques - secretário

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