Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Da luta não me retiro: me atiro do alto e que me atirem no peito

Meu pai lutou num cenário bastante adverso.
Era ditadura militar.
Ele queria a revolução.
Fazia parte de um partido que queria a luta de massas e a luta das armas. Assim ocupava os sindicatos e movimentos sociais (naquilo que era possível no regime dos ditadores) em busca de cultivar a mudança na mente do povo ao mesmo tempo em que fazia a luta armada em busca de realizar a revolução com o povo.
Era quixotesco - e a história provou que era. Os movimentos armados foram dizimados pela Ditadura. O PCBR de meu pai foi um dos que teve mais mortos.
Mas ninguém abria mão da luta. Nem sob tortura. 
A tortura, ignomínia que mata a alma do torturado, era o suplício máximo para que lutava por um ideal. A morte era misericórdia.
Ontem, falando nisso, foi a data em que, em 1968, Che Guevara foi executado pela CIA na Bolívia. "El nombre del hombre muerto
Ya no se puede decirlo, quién sabe?
Antes que o dia arrebente
(...)
El nombre del hombre
Es pueblo"
Tenho esse espírito. Já ganhei algumas lutas, já perdi outras lutas. Mas segui lutando até o fim.
Aliás, sigo lutando até depois do fim.
Estamos em uma luta que segue até dia 26 de outubro. Seguirei na luta após essa data: basta olhar o Congresso eleito e sua maioria ruralista para entender que temos de continuar a lutar. Ainda que percamos a eleição. Ainda depois da eleição. 
A luta por mais justiça. Por mais direitos.
Porque temos pela frente uma ameaça concreta aos direitos - o que fazer quando um candidato favorito defende a redução da maioridade penal, por exemplo? Lutar.
Perdi, ganhei. Mas como meu pai, posso garantir não esmorecer na luta.
Se tiver de morrer, morro atirando.
"Da luta não me retiro".

Comentários

Postagens mais visitadas