Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Da luta não me retiro: me atiro do alto e que me atirem no peito

Meu pai lutou num cenário bastante adverso.
Era ditadura militar.
Ele queria a revolução.
Fazia parte de um partido que queria a luta de massas e a luta das armas. Assim ocupava os sindicatos e movimentos sociais (naquilo que era possível no regime dos ditadores) em busca de cultivar a mudança na mente do povo ao mesmo tempo em que fazia a luta armada em busca de realizar a revolução com o povo.
Era quixotesco - e a história provou que era. Os movimentos armados foram dizimados pela Ditadura. O PCBR de meu pai foi um dos que teve mais mortos.
Mas ninguém abria mão da luta. Nem sob tortura. 
A tortura, ignomínia que mata a alma do torturado, era o suplício máximo para que lutava por um ideal. A morte era misericórdia.
Ontem, falando nisso, foi a data em que, em 1968, Che Guevara foi executado pela CIA na Bolívia. "El nombre del hombre muerto
Ya no se puede decirlo, quién sabe?
Antes que o dia arrebente
(...)
El nombre del hombre
Es pueblo"
Tenho esse espírito. Já ganhei algumas lutas, já perdi outras lutas. Mas segui lutando até o fim.
Aliás, sigo lutando até depois do fim.
Estamos em uma luta que segue até dia 26 de outubro. Seguirei na luta após essa data: basta olhar o Congresso eleito e sua maioria ruralista para entender que temos de continuar a lutar. Ainda que percamos a eleição. Ainda depois da eleição. 
A luta por mais justiça. Por mais direitos.
Porque temos pela frente uma ameaça concreta aos direitos - o que fazer quando um candidato favorito defende a redução da maioridade penal, por exemplo? Lutar.
Perdi, ganhei. Mas como meu pai, posso garantir não esmorecer na luta.
Se tiver de morrer, morro atirando.
"Da luta não me retiro".

Comentários

Postagens mais visitadas