Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Cáritas: Democracia se constrói com respeito e liberdade

Leia abaixo nota da Cáritas Brasileira em repúdio ao preconceito e xenofobia no processo eleitoral:
O Brasil vive um momento importante da sua história política com o segundo turno das eleições presidenciais. A Cáritas Brasileira é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de abrangência nacional, possui 183 Entidades Membro, que atuam em todo território nacional em defesa dos Direitos Humanos, pelo fortalecimento e ampliação da Economia Popular Solidária, da convivência com os biomas, em especial o Semiárido, da Agroecologia e pela construção de políticas públicas capazes de promover um desenvolvimento mais justo e sustentável.
Após o resultado das eleições, em seu primeiro turno, uma onda de preconceito em relação à população nordestina e nortista se alastrou pelas redes sociais. Tendo inclusive como um dos seus principais porta-voz o ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso - FHC, ao afirmar em entrevista, que a candidata Dilma recebeu votos de pessoas desinformadas e dos grotões do nosso país.
Diante disso, a Cáritas, vem de público, repudiar tais manifestações, afirmando que elas fortalecem o preconceito, a xenofobia e o racismo.
Assim como acreditamos que em nada tais comentários podem contribuir para o avanço da democracia, da paz e dos direitos igualitários para população brasileira. A realidade do norte e do nordeste do Brasil tem mudado muito, em especial, no semiárido brasileiro, nos últimos 30 anos, graças à organização da sociedade civil que vêm cotidianamente construindo políticas públicas, fazendo com que sindicatos, movimentos populares, pastorais sociais, comunidades eclesiais de base, organizações não governamentais, participem efetivamente da construção de uma nação do povo brasileiro.
A autonomia sobre o seu voto, passa pelo crescimento e evolução de uma população consciente de seu papel construtor de uma nova sociedade. O posicionamento eleitoral das populações do Norte e Nordeste não se baseia na ignorância e na desinformação. Mas na emancipação de populações, historicamente marginalizadas por governos conservadores, e que aos poucos vão se livrando das correntes do coronelismo e das aristocracias que determinaram os processos eleitorais nacionais e especialmente nestas regiões.
Ao longo desses 12 anos de gestão petista, a Cáritas sempre demonstrou autonomia em seu posicionamento contrário ao modelo de desenvolvimento apoiado pelo Estado Brasileiro, que tem incentivado os monocultivos e provocado grandes impactos ambientais, que não prioriza o reconhecimento dos direitos territoriais das comunidades tradicionais e a reforma agrária e que coloca a economia do país dependente da exportação de poucas commodities agrícolas e minerais. Seguiremos sempre críticos, mobilizados e fortalecendo as lutas populares, mas não podemos negar os avanços e as conquistas que as populações empobrecidas garantiram a partir do acesso às políticas públicas de água, produção de alimentos, educação contextualizada, agroecologia, economia solidária, entre outras.
Essa população, tendo assegurados seus direitos básicos, cresce em consciência política, e capacidade de organização. As populações nordestinas e nortistas não são desinformadas, muito pelo contrário.
Apesar da visão xenófoba que sobrevive nos pensamentos colonizadores, queremos afirmar que no Norte e Nordeste do Brasil vive um povo que produz saber, cultura, arte e riquezas que somados aos talentos e capacidades do Sul e Sudeste, faz do Brasil uma grande potência capaz de gerar vida e solidariedade.

Direção Nacional da Cáritas Brasileira

Comentários

Postagens mais visitadas