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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

O Senhor me deu Seu Espírito (…) e me enviou (…) [para] libertar os que estão sendo oprimidos

Lucas (Lc. 4. 18) relata que Jesus tomou o livro de Isaías na Sinagoga e leu esse trecho. E depois anunciou: “Hoje se cumpriu o trecho das Escrituras Sagradas que vocês acabam de ouvir” (Lc. 4. 21).
Ao anunciar o “tempo em que o Senhor salvará o seu povo”, Isaías complementa que o Servo seria enviado "para consolar os que choram” (Is. 61.2).
A tradição do cristianismo identifica o texto de Isaías como uma profecia acerca de Jesus. E entende que o ministério de Jesus, o Messias, ungido pelo Espírito, é continuado pela igreja.
Fiquei pensando de ontem para hoje em uns tantos oprimidos aos quais a igreja negligencia ajuda para se libertar: as mulheres submetidas ao machismo, os negros submetidos ao racismo, os trabalhadores submetidos à exploração, os homossexuais e trans submetidos à transhomofobia.
Em vez de libertar mulheres do machismo, temos um candidato pastor acusado por violência doméstica.
Em vez de libertar os negros do racismo, temos um pastor deputado que os chama de amaldiçoados publicamente.
Em vez de ajudar a libertar trabalhadores da opressão, reclamamos quando lutam por seus direitos em greves, ocupações. Ou defendemos flexibilizar seus direitos. Ou modificar a lei que tipifica o trabalho escravo no país.
Os cristãos pretendem, às vezes parece, trancafiar os gays em seus armários e atirá-los às chamas do inferno.
Fiquei pensando que libertar os oprimidos bem pode significar nos dias atuais ajudar a arrombar as portas de tantos armários que ainda existem a serem abertos. E ajudar os oprimidos a encontrar libertação.

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