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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A incompetente análise de redes de Aécio Neves

Este ano eu e a minha colega da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Graça Pinto, realizamos um de pesquisa sobre o #ProtestodosPintas, ocorrido em Natal no contexto dos Rolezinhos do fim do ano passado.
Apresentamos partes dessa pesquisa em diversos eventos ao longo do ano - ora descrevendo como funcionou a rede gerada no Twitter sobre o protesto, ora analisando textos produzidos em seus sites pelos perfis que representaram os dois hubs na rede.
Na análise de redes são chamados de hubs os nós (no caso de redes sociais, os sujeitos) que terminam por centralizar a maior parte de arestas (interações, nas redes sociais).
Os dois hubs da rede analisada foram os perfis da Tribuna do Norte e do Blog do BG. A ação desses dois hubs contribuiu para que a rede configurada em torno do evento possibilitasse a construção de sentidos bastante negativos sobre o #ProtestodosPintas, que terminou sendo visto como a ação de vândalos ou baderneiros e contra quem diversos usuários clamaram por uma violenta repressão da polícia.
Esse pode ser qualificado como o resumo desse trabalho que temos compartilhado com colegas pesquisadores em diversos eventos da área de comunicação, como Compós, Alaic e Intercom.  Em nenhum momento interpretamos o funcionamento dessa rede a partir de uma perspectiva de uso de robots ou de militância paga.
Hoje ficamos sabendo que Aécio Neves (PSDB) processou o Twitter para que o site forneça a ele os dados cadastrais de 66 perfis que costumam fazer denúncias contra o senador.  Tive o cuidado de ler a peça dos advogados de Aécio - e eles apresentam dois grafos que simbolizam a rede configurada no Twitter para demonstrar que agem articuladamente e contribuem para a construção de sentidos negativos acerca do candidato.
Aécio acusa a rede de funcionar articuladamente por ser composta por robots ou militância paga. A prova para isso, segundo ele, é a freqüência de postagens além dos próprios grafos que provam sua integração.
Imagino que quem ajudou os advogados a prepararem a peça foram sujeitos que minimamente conhecem o funcionamento da rede, monitoram-na e usam softwares que geram grafos. Não é trabalho de amador.
Mas é trabalho de incompetente.
Do ponto de vista acadêmico e/ou científico a tese é tão absurda que, caso prospere, vai de encontro a toda produção de conhecimento no âmbito da análise de redes sociais de Internet. Todos esses trabalhos perderiam a relevância se a tese fosse aceita.
O trabalho constata que uma rede se configurou no Twitter e que essa rede contribui na construção de sentidos negativos contra Aécio - tal qual eu e Graça, por exemplo, fizemos acerca da rede sobre o #ProtestodosPintas. A conclusão, no entanto, de que se trata de uma ação paga ou gerada por robots é tão absurda que somente serve para demonstrar que Aécio gostaria de atuar como censor de críticas que lhe são dirigidas, que o candidato não tem apreço pela democracia. 

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