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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Quando ameaças de morte são notícia e quando não são

MainardiPor Paulo Nogueira

No Diário do Centro do Mundo

E então ficamos sabendo que ameaça de morte — algo sempre condenável — é notícia e não é notícia, dependendo de a quem seja dirigida.
Um texto publicado há algum tempo pelo publicitário Enio Mainardi, em sua página no Facebook, tinha o seguinte título: Dilma, a bruxa odiada. Em caixa alta.
Primeiro, ele torce para que o câncer volte para Dilma e para Lula. Mas ele não parece muito esperançoso de que isso ocorra.
“Vocês não vão desaparecer nunca, sabemos disso”, afirma Mainardi. Ele se referia aos petistas, genericamente. Mas deu alvo específico eram Dilma e Lula. “Não tem químio, não tem veneno de rato que acabe com a raça de vocês. São como baratas sobreviventes mesmo depois de uma explosão nuclear.”
Depois ele escreveu: “De vez em quando penduram um Mussolini pelo pescoço, enforcado numa praça pública. Ou matam um Pot-Pol a pauladas. Um parco consolo. Você, Bruxa Odiada, ainda não se tocou daquilo que é. (…) Então só nos resta lutar duramente contra você e contra todos os petistas do mundo. (…) Talvez tenhamos até que usar um fuzil automatico AR-15.”
AR-15. Mainardi cogitou usá-la contra a Bruxa Odiada. O texto mostra claramente um estado mental de extraordinária e ilimitada agressividade. Você pode até ver Mainardi com a AR-15 em busca das “baratas sobreviventes”.
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Alguém poderia se surpreender se ele saísse das palavras à ação?
Aí então diríamos: mas ele anunciou. Deu seu aviso prévio, numa candidez desconcertante. Só faltou ele anunciar no texto que estava comprando uma AR-15, no caso de alguém estar vendendo.
Mas não é notícia, e muito menos motivo para a Polícia Federal investigar o tamanho do risco representado por Mainardi.
Não é nada, em suma.
Mas quando entra em cena Joaquim Barbosa a não notícia vai para a manchete. A Veja toma, naturalmente, a iniciativa. É o que aconteceu hoje, quando o site da revista anunciou ameaças sofridas por JB.
“Disparadas por perfis apócrifos de simpatizantes petistas, mensagens foram encaminhadas ao Supremo. Em uma delas, um sujeito que usava a foto de José Dirceu em seu perfil no Facebook escreve que o ministro morreria de câncer ou com um tiro na cabeça”, escreveu a revista.
Morrer de câncer? Levar tiro? Alguém falou em AR-15? Só sabemos que Mainardi não é o autor de nenhuma das mensagens contra JB porque seu ódio se concentra nas “baratas sobreviventes”.
Continua a Veja: “Temendo pela integridade do presidente da mais alta corte do país, a direção do STF acionou a Polícia Federal para que apurasse a origem das ameaças. Dividida em dois inquéritos, a averiguação está em curso na polícia, mas os resultados já colhidos pelos investigadores começam a revelar o que parecia evidente.”
O que parecia evidente? Bem, para saber isso você tem que ser assinante da revista. O site para naquela frase enigmática.
Então digo eu, ou melhor, repito: evidente é que ameaça de morte é muita coisa em determinadas circunstâncias e nada, em outras.
Para nós do DCM, as ameaças são sempre absurdas.

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