Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

O linchamento

O cara desce da favela para bagunçar aqui no centro. E como fede! Fede ele e a patota que circula com ele. Vem aqui só para bagunçar. 
Eu vou dar minha porrada nele. Agora ele chora, mas merece apanhar.  Esse cara merece ser linchado. Filho da puta. Quero ver o sangue correndo.  Chama as crianças para eles verem o que acontece com cabra safado aqui. Tem que saber que não tem perdão. Aqui é na porrada para aprender. E de vez em quando a gente mata um para os outros aprenderem. Tem que matar mesmo. 
Pega ele. Amarra no pau. Quero ver correr agora.  Vai ser bonito ver todo mundo dando nele. Vai apanhar que nem bicho.
Quero ver aquele povo dos direitos humanos aqui! Direitos humanos só para humanos direitos. Bandido tem que apanhar e morrer mijando nas calças com medo!
Isso, tira a roupa dele. Maldade cobrir os olhos. Quero que ele me veja quando eu chutar aquela cara de bandido. 
Vê se pode: o cara desce lá das paradas dele, com essa gang. Vê: só tinha puta e filho da puta com ele. Bandido, ladrão do povo, viado.  Povo vestido que nem mendigo, com cara de craqueiro, fedido e preto.
Esse cara tem de morrer. Bandido safado.
Afinal, só anda com a escória. Olha aquela puta com ele. Não é só uma. E aquele ladrão corrupto que fugiu? Além de tudo é pobre, se veste mal e cheira mal. 
O que o homem está perguntando mesmo? Ah tá. Claro que tem de matar esse safado, bandido filho da puta. Nem pai tem! Mata, mata. Mas deixa ele sofrer o ponquinho mais.

E gritou:
"Crucifica-o!"

Comentários

Postagens mais visitadas