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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Sobre a ignorância

Algumas formas de ignorância me incomodam muito.
Talvez a maior delas seja a incapacidade para o diálogo. Não falo de evitar debates - coisa que as vezes opto por fazer. Falo daquelas pessoas que diante de um debate somente têm como argumento o xingamento.
Hoje o @cardoso e muitos de seus seguidores "debateram" comigo na base do "burro", "que come feno", etc.
Semanas atrás, o mesmo personagem no Twitter não conseguia explicar o que achava da fala de Fernanda Lima que disse que nada tinha a ver com o racismo, após o episódio em que supostamente foi escolhida, junto com o marido, para apresentar o sorteio dos grupos da Copa em lugar de Camila Pitanga e Lázaro Ramos.
Engraçado é que nada comentou também quando a apresentadora gaúcha, tentando justificar que não era racista, afirmou que até tinha "amigos e afilhados negros". Não sei porque lembrei da Casa Grande quando o dono dos escravos também os batizava. Talvez tenha sido devido àquela foto já famosa de quando ela deixou sua empregada/babá, negra, na chuva.
Há outras ignorâncias que me incomodam: as midiáticas.
Ignoramos como um esporte desconhecido poucos anos atrás se tornou febre em tão pouco tempo - falo do MMA, especialmente no formato UFC. Como e por quê? Isso não foi espontâneo mas preferimos ignorar as causas.
Incomoda-me a ignorância expressa inclusive por gente de minha família - que Dirceu e Genoíno embolsaram dinheiro e, por isso, foram condenados. Sem entrar no mérito do julgamento, ignoram que nem Dirceu nem Genoíno foram acusados ou condenados por embolsarem dinheiro no caso do Mensalão. O crime pelo qual foram julgados e condenados era outro - e ainda assim nenhum condenado na AP 470 o foi por enriquecimento ilícito. Quem isso falou recebeu de mim, como presente de aniversário, o livro do Paulo Moreira Leite. Não leu é de mim não receberá outro presente do tipo.
Incomoda-me a ignorância do meu sogro que outro dia afirmou não ter havido uma ditadura e defendeu Castelo Branco como alguém que salvou o Brasil. Prefiro meu pai, que lutou contra o arbítrio.
Mas, o pior, é que a ignorância é uma benção.

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