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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Contra defasagem de profissionais, ortopedistas do Walfredo Gurgel preparam greve

O Hospital Walfredo Gurgel perdeu ao longo dos últimos dois anos 36% dos seus médicos ortopedistas. É isso que diz carta encaminhada ao Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte pela equipe de ortopedistas que atuam no Hospital.
Os profissionais informam ainda que metade dos 6.262 procedimentos cirúrgicos realizados no hospital em 2012  foram ortopédicos. Ainda assim, a equipe de 42 profissionais foi reduzida a 27 depois de seis exonerações, três transferências e seis aposentadorias. Outros dois médicos estão na iminência de se aposentarem.
"Contávamos com um corpo clínico que foi gradativamente diminuindo até atingir um nível crítico", dizem os médicos.
E isso enquanto a quantidade e a gravidade dos traumas atendidos pelo Hospital só aumentam. "Desnecessário lembrar que o Walfredo Gurgel é o maior hospital público de trauma do Estado, e único que realmente resolve todos eles em todos os graus de complexidade", lembra a carta.
Diante disso, a equipe prepara uma greve visando a "reposição do corpo clínico que foi perdido, bem como sua adaptação para valores compatíveis com a demanda do serviço". Seriam necessários duas equipes de quatro médicos plantonistas por turno.
Três médicos pediram exoneração esta semana.  Dentre os motivos, falta de condições de trabalho, a incompetência da gestão pública estadual da saúde, falta de ética médica por parte da direção do Hospital, falta de valorização profissional.
Leia a seguir os requerimentos de exoneração dos médicos e a íntegra da carta dirigida ao Sindicato:


Sobre a Ortopedia do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel

Utilizando alguns dados do Serviço de Arquivo Médico (SAME), relativos a 2012, podemos citar que o serviço de Ortopedia realizou 19205 atendimentos, perfazendo um média mensal de aproximadamente 1600 atendimentos ou uma média diária de 53 atendimentos.

Derivado desse montante, foram realizadas 1983 cirurgias de urgência/emergência para tratamento de fraturas expostas, muitas das quais se desdobram em vários procedimentos ortopédicos (pacientes politraumatizados com múltiplas fraturas), aumentando o valor final.

Somam ainda 1119 reduções de fraturas, procedimentos nos quais o tratamento é realizado com o paciente anestesiado em centro cirúrgico.

Atingimos um montante de 3012 procedimentos ortopédicos.

Esse quantitativo é precisamente METADE dos procedimentos realizados no Centro Cirúrgico do hospital em 2012 (6262 procedimentos).

Se considerarmos que alguns procedimentos são realizados fora do Centro Cirúrgico, o valor final aumenta ainda mais.

Contávamos com um corpo clínico que foi gradativamente diminuindo até atingir um nível crítico.

Ao longo de 2012 até a presente data, do quadro foram subtraídos os seguintes servidores:

APOSENTADOS:

HERMANCE LOBO
FRANCISCO DE ASSIS
MOZAR DIAS
TANIA MEDEIROS
EDUARDO LOPES (2 vínculos)
MARCONI AZEVEDO

EXONERADOS:

JUSTINO NÓBREGA
MAURÍCIO BRUM
MARCELO REGO

TRANSFERIDOS:

RODRIGO BRAGA
URAI OLIVEIRA
EULALIA DE ALBUQUERQUE

Na última semana, mais 3 ortopedistas pediram exoneração:

MARCIO REGO
JULIMAR NOGUEIRA
HERMANN GOMES

15 SERVIDORES! E mais dois outros estão com a aposentadoria iminente:

CARLOS MAGNO CARMO
MARCONI AZEVEDO (em seu segundo vínculo)

Contamos atualmente com 27 ortopedistas resolvendo a ortopedia do hospital, sendo 4 com vínculo de 20 horas e 2 com vínculos de 40 horas e 20 horas, correspondendo funcionalmente a 26 vínculos de 40 horas.

Nesse período, foram diminuídos 15 ortopedistas, restando 27, correspondendo a uma redução de aproximadamente  36%, sem que NENHUM fosse substituído.

No contraponto, como é sabido tanto pela estatística oficial (dados do SAME), bem como observado pela estatística informal (mídia), o número de trauma só aumenta, inclusive em nível de gravidade.

Desnecessário lembrar que o Walfredo Gurgel é o maior hospital público de trauma do Estado, e único que realmente resolve todos eles em todos os graus de complexidade.

Diante do exposto, a equipe de ortopedia solicita a tutela e formalização do sindicato para deflagrar uma greve, visando, sobretudo, a reposição do corpo clínico que foi perdido, bem como sua adaptação para valores compatíveis com a demanda do serviço. Quanto a esse ponto, solicitamos recentemente parecer ao CREMERN sobre o número mínimo de plantonistas, cuja resposta estabeleceu "um mínimo de 3". Considerando a natural vacância prevista e imprevista (férias, licença-prêmio, previsão de aposentadoria, etc), se estipula que um mínimo de 4 seja atingido, o que também permitiria configurar a formação de 2 equipes cirúrgicas, já que não é raro haver vários pacientes aguardando intervenção cirúrgica ortopédica simultaneamente.

Atenciosamente, aguardando sua resposta e à disposição para esclarecimentos.

Equipe do Serviço de Ortopedia do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel

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