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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Pedimos desculpas à Rede Globo

Por Marcos Monteiro

Prezada Rede Globo

Sensibilizados com o seu pedido explícito de desculpas pela participação e apoio ao golpe militar de 1964, queremos também pedir as nossas desculpas.

1. Pedimos desculpas pelo alívio em sentir uma rede acostumada a esconder e se esconder, admitir publicamente o que todas e todos já sabíamos.

2. Pedimos desculpas por não acreditar que a sua estrutura de informação seja democrática e que o apoio à ditadura de então teria sido um equívoco.

3. Pedimos desculpas por entender que a Rede Globo tenta estender e sustentar a sua própria ditadura de opinião e acharmos que apoiará futuras ditaduras desde que apoiem seus próprios interesses.

4. Pedimos desculpas por achar que somente pedir desculpas é muito pouco e uma única desculpa não cobre todo o excesso de intervenção e manipulação exercida.

5. Pedimos desculpas por achar que a Rede Globo manipulou imagens e pronunciamentos para favorecer candidatos com o perfil de corrupção e autoritarismo.

6. Pedimos desculpas por entender que a Rede Globo tenta criminalizar os movimentos sociais, especialmente o movimento de trabalhadores rurais, o MST.

7. Pedimos desculpas pelo nosso desinteresse nos comentários de seus comentaristas e pela falta de credibilidade que damos às suas considerações.

8. Pedimos desculpas por não achar graça nos seus programas de humor e morrermos de rir nos seus noticiários, com o nonsense e surrealismo de suas informações.

9. Pedimos desculpas pelo horror que sentimos diante do espaço dado às invasões norte-americanas, diante da transmissão de guerras ao vivo, como se fosse algum esporte macabro.

10. Finalmente, pedimos desculpas por não aceitarmos, em hipótese alguma, as suas desculpas.

Atenciosamente.
  
Feira de Santana, 06 de setembro de 2013.

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