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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Papa Francisco se aproxima da Teologia da Libertação

No Globo

Reflexo dos novos ventos de mudanças que sopram no Vaticano, o Papa Francisco celebrou, na última quarta-feira, uma missa com o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez, fundador da Teologia da Libertação, e Dom Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, na capela Santa Marta.
Após as condenações de seus excessos, críticas e incompreensões nos anos 1980, este encontro foi considerado uma espécie de pacificação ou de reabilitação entre o Vaticano e a Teologia da Libertação.
É possível ver um clima de abertura desde que Francisco, que já visitava favelas quando estava em Buenos Aires, defendeu a ideia de “uma igreja para os pobres” ao ser eleito Papa.
A reconciliação com a corrente — nascida depois do Concílio Vaticano II para lutar contra a pobreza através do Evangelhos — começou com Bento XVI. Foi ele quem nomeou para a congregação Müller, muito próximo à Teologia da Libertação.
Durante anos, Müller passou suas férias entre os camponeses latino-americanos e manteve estreita amizade com o dominicano Gutiérrez. Os dois escreveram, em 2004, “Do lado dos pobres, Teologia da Libertação, a teologia da Igreja”. O jornal do Vaticano “L'Osservatore Romano” incluiu recentemente um comentário sobre o livro: “Com um Papa latino-americano, a Teologia da Libertação não poderia ficar muito tempo à sombra, para onde tinha sido relegada há anos”, afirmou Ugo Sartorio, comentarista do Vaticano.
Para o lançamento do livro, Gutiérrez viajou à Itália e se reuniu com Francisco. O dominicano, que nunca foi condenado pela congregação, disse ao Papa: “Obrigado pelo seu testemunho (para o livro)”. Ao ser perguntado sobre as investigações impostas entre 1984 e 1986 pelo Vaticano à sua teologia, o sacerdote peruano respondeu: “Tudo isto pertence ao passado porque hoje a Teologia da Libertação é mais conhecida e, por isso, mais apreciada. A questão da pobreza sempre esteve presente na Igreja. Mas a sua compreensão mudou porque, por muito tempo, a própria Humanidade aceitou a pobreza como uma fatalidade. Hoje estamos mais conscientes das causas e sabemos que é uma criação dos homens”.

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