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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Leci Brandão: As médicas cubanas e as empregadas domésticas

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No Geledes

Em pronunciamento, realizado nesta quarta-feira (28), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a deputada estadual Leci Brandão (PCdoB/SP) falou sobre a posição da mídia conservadora a em relação aos médicos cubanos. Para a parlamentar, tal postura reafirma a face cruel do racismo em nosso país.

Leci Brandão destacou ainda que toda essa polêmica revelou algo que a população negra já sabe há muito tempo: em nosso país, as profissões têm cor e classe social.

Leia o pronunciamento na íntegra:

As médicas cubanas e as empregadas domésticas

Hoje, 28 de agosto, faz 50 anos que Martin Luther King, ícone da luta por igualdade racial nos Estados Unidos fez um discurso que se tornou emblemático e entrou para a história. Eu tenho um sonho, ele disse, "de que meus quatro filhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele e sim pelo conteúdo do seu caráter".

Por uma infeliz coincidência, também hoje a grande imprensa e as redes sociais repercutem dois fatos que reafirmam a face cruel do racismo em nosso país e nos fazem continuar firmes em nossa luta de combate à discriminação. A primeira é a imagem de um médico cubano negro, que ao chegar em Fortaleza (CE) foi vaiado e hostilizado por dezenas de médicos que o esperavam no aeroporto.

A outra imagem é a da jornalista potiguar Micheline Borges, que postou nas redes sociais a seguinte observação: "Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas tem uma cara de empregada doméstica. Serão que são médicas mesmo?... Médico geralmente tem postura, tem cara de médico, se impõe a partir da aparência..."

Não vou comentar o Programa Mais Médicos do Ministério da Saúde. Por ora vou me limitar a dizer que considero o programa uma grande contribuição para o grave problema na área saúde que existe em centenas de municípios brasileiros.

Mas toda a polêmica que esse programa está trazendo tem revelado algo que a população negra já sabe há muito tempo: em nosso país, as profissões têm cor e classe social. Aos brancos estão reservadas as profissões com os mais altos salários, entre elas a de médico. Aos negros restam as profissões com os mais baixos salários, entre as quais a de empregada doméstica.

Não tenho dúvida ao afirmar que esses dois fatos expõem claramente o racismo.

Acabamos de realizar a Conferência Estadual de Igualdade Racial cujo tema é "Desenvolvimento e Democracia". Não podemos mais admitir reações racistas como estas.

Assim como Martin Luther King, nós continuamos sonhando com o dia em que não seremos julgados pela cor. Mas para que nosso sonho se torne realidade, precisamos agir. Que os dois fatos não caiam no esquecimento.

*Leci Brandão é deputada estadual pelo PCdoB – SP.

Fonte: Vermelho

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