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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Vannuchi: vitória incontestável da Diplomacia Brasileira

Por Marcos Dionísio Medeiros Caldas
Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos

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Nosso Ex-ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, acaba de vencer renhida disputa para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Uma Vitória incontestável da diplomacia brasileira e do Brasil que insiste em continuar a luta! Sua trajetória na luta pela redemocratização, seu espírito diplomático e seu olhar de águia no futuro da humanidade, o credenciam para tão especial tarefa.
Convivi com Vannuchi no Fórum de Gestores em Direitos Humanos, de 2006 a 2010, onde travamos inúmeros debates. Impressionava sempre a riqueza de suas intervenções, sempre acompanhada de uma leitura da evolução da política internacional clara, concisa, pedagogicamente falando sempre a "fala dos Direitos Humanos" para o conjunto das pessoas. Além de não se furtar ao debate, sempre nos brindava com exemplos da literatura, do cinema e das pessoas simples com quem conviveu nos "tempos de luta", ou seja, por toda sua vida. Além da energia política, o ministro nunca perdia a piada e nem os amigos que granjeou no citado fórum.
Obstinado por nossa Memória e Verdade, desde que me conheceu, não se cansava de repetir de que precisávamos fazer uma homenagem à Luís Maranhão, e quando o informamos de que a placa comemorativa deveria ficar em determinado órgão, Vannuchi com seu olhar na história, docemente discordou e vaticinou de que a homenagem para ser insuperável deveria ficar afixada nas paredes da Assembleia Legislativa. No ato que constou da Caravana da Anistia no RN, ante um pequeno imbróglio entre cerimoniais e dada a delicadeza da presença de parlamentares que por vivenciarmos um momento eleitoral estavam vedados de participar de atos institucionais, o ministro me chamou num canto e me nomeou cerimonialista. Não fiquei surpreso, pois o mesmo num determinado evento em Brasília me chamou à mesa diretora dos trabalhos de um evento e me passou o microfone e a palavra para fazer a saudação à viúva de Mitterrand em visita ao Brasil.
cms-image-000315052Em retribuição "aquela molecagem", o homenageamos no IV Congresso Brasileiro de Direitos Humanos, que o IPEJUC realizou em 2010.
Com a mesma coragem com que ajudou a luta pelos direitos humanos no Brasil a agendar a Comissão da Verdade, com que coordenou a construção do III Programa Nacional de Direitos Humanos, com a mesma ousadia com que sensibilizou importantes figuras do empresariado brasileiro para um olhar pelos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi chega à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, levando o sangue dos nossos mártires pela liberdade, as lágrimas dos seus parentes e amigos e como herdeiro dos seus sonhos, utopias e estradas.
Essa vitória da diplomacia brasileira nos enche de orgulho e aponta uma agenda continental pela construção de uma República Interamericana sob à égide dos Direitos Humanos , livre, soberana e generosa como sonharam e nos legaram Alexandre Vannuchi, Victor Jara, Luiz Inácio Maranhão Filho, Sílton Pinheiro, Paulo Fonteles, Eugênio Lyra, os Angel, Santana, os Petit, Sandino, os Canutos, Titos, Chico Mendes, Helenira Rezende, Dina, Rubens Paiva, Oswaldão e todos os que os que colocaram a liberdade e a luta como pressupostos para o içamento da felicidade interamericana. Por vezes a conjuntura  quase nos põe em desespero, mas vitórias como esta nos mostra que "a história é um carro alegre / cheia de gente contente / Que atropela indiferente / Toda aquele que a negue", como nos cantou Pablo Milanez e Chico Buarque. A chegada do brasileiro Paulo Vannuchi à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA sedimenta de que não queremos o passado como era e que o presente, com ousadia, precisa parir o futuro de maneira inadiável.

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