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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Padilha no confessionário

Por Leandro Fortes
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A suspensão da campanha de prevenção a AIDS entre as prostitutas brasileiras é uma dessas circunstâncias em que, cada vez que o ministro Alexandre Padilha se explica, pior fica para ele, para o governo, para todos os que nele confiam. Melhor seria admitir o mais antigo dos óbvios, a justificativa padrão para todo desvio administrativo pautado pela subordinação: ele obedeceu ordens, claro, da presidenta Dilma Rousseff.

Dilma rendeu-se a essa desvairada realpolitik na qual se tornou normal, e até mesmo recomendável, se aliar à escória política nacional em nome do projeto petista de poder. Garante o financiamento da mídia que a massacra, recebe elogios da latifundiária Kátia Abreu e deixa que a bancada evangélica no Congresso interfira na saúde e na vida de milhões de brasileiros e brasileiras sujeitos à contaminação pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Imagino que isso seja uma estratégia política brilhante, mas como sou um ignorante em marketing, sempre acho que isso vai acabar levando a todos - o PT, os eleitores de Dilma, o País - para o abismo. Por enquanto, só colho sinais.

Jean Wyllys, esse jovem deputado baiano do PSOL do Rio de Janeiro, nos dá, agora, essa contribuição essencial para compreender o grau de submissão do Ministério da Saúde a essa estratégia. Convidado como parlamentar, compareceu também como bom jornalista que é ao gabinete do ministro Alexandre Padilha para ouvi-lo dar frágeis explicações sobre a inexplicável submissão do governo aos devaneios medievais de gente como Marcos Feliciano - a quem telefonou para dar satisfação e, em seguida, foi brindado com conselhos debochados pelo Twitter.

Em certo momento, Padilha repetiu a Wyllys ter suspendido a campanha para as prostitutas porque esta "não teria passado pela avaliação do departamento de comunicação do ministério". Repito, não é melhor falar a verdade? O ministro acha mesmo que alguém com mais de 12 anos de idade vai acreditar que a campanha foi retirada de circulação, três dias depois de lançada, e toda a diretoria do departamento de combate a AIDS caiu porque os assessores de comunicação não a tinham carimbado? É essa a noção de respeito ao cidadão que sobrou dessa brilhante estratégia política de se curvar a fanáticos religiosos?

Até onde me lembro, não foi para isso que o PT chegou ao poder.

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