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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Padilha no confessionário

Por Leandro Fortes
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A suspensão da campanha de prevenção a AIDS entre as prostitutas brasileiras é uma dessas circunstâncias em que, cada vez que o ministro Alexandre Padilha se explica, pior fica para ele, para o governo, para todos os que nele confiam. Melhor seria admitir o mais antigo dos óbvios, a justificativa padrão para todo desvio administrativo pautado pela subordinação: ele obedeceu ordens, claro, da presidenta Dilma Rousseff.

Dilma rendeu-se a essa desvairada realpolitik na qual se tornou normal, e até mesmo recomendável, se aliar à escória política nacional em nome do projeto petista de poder. Garante o financiamento da mídia que a massacra, recebe elogios da latifundiária Kátia Abreu e deixa que a bancada evangélica no Congresso interfira na saúde e na vida de milhões de brasileiros e brasileiras sujeitos à contaminação pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Imagino que isso seja uma estratégia política brilhante, mas como sou um ignorante em marketing, sempre acho que isso vai acabar levando a todos - o PT, os eleitores de Dilma, o País - para o abismo. Por enquanto, só colho sinais.

Jean Wyllys, esse jovem deputado baiano do PSOL do Rio de Janeiro, nos dá, agora, essa contribuição essencial para compreender o grau de submissão do Ministério da Saúde a essa estratégia. Convidado como parlamentar, compareceu também como bom jornalista que é ao gabinete do ministro Alexandre Padilha para ouvi-lo dar frágeis explicações sobre a inexplicável submissão do governo aos devaneios medievais de gente como Marcos Feliciano - a quem telefonou para dar satisfação e, em seguida, foi brindado com conselhos debochados pelo Twitter.

Em certo momento, Padilha repetiu a Wyllys ter suspendido a campanha para as prostitutas porque esta "não teria passado pela avaliação do departamento de comunicação do ministério". Repito, não é melhor falar a verdade? O ministro acha mesmo que alguém com mais de 12 anos de idade vai acreditar que a campanha foi retirada de circulação, três dias depois de lançada, e toda a diretoria do departamento de combate a AIDS caiu porque os assessores de comunicação não a tinham carimbado? É essa a noção de respeito ao cidadão que sobrou dessa brilhante estratégia política de se curvar a fanáticos religiosos?

Até onde me lembro, não foi para isso que o PT chegou ao poder.

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