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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

O futuro se escreve nas ruas

Por Rodrigo Vianna
No Escrevinhador

por

Às 19h já era possivel afirmar que a onda de manifestações pelo Brasil é a maior desde o movimento pelo impeachment de Collor. 40 mil pessoas em São Paulo (e crescendo). Outras 40 mil no Rio de Janeiro. Belo Horizonte teve milhares nas ruas, com bombas jogadas dos helicópteros pela PM mineira. Em Brasília, a marcha avançava em direção ao Congresso Nacional.

Tudo isso acontecendo e a Globo passava novela das sete. Fingia que nada estava acontecendo no Brasil. Talvez, para não estragar a Copa das Confederações. Os jovens nas ruas parecem ter deixado a direita indignada e a esquerda perplexa. Ninguém entendeu nada.

Durante o dia, setores do conservadorismo mudaram o discurso. Arnaldo Jabor, que na semana passado havia avacalhado os manifestantes com um comentário boçal no ar, mostrava-se arrependido (ou foi o “comitê central” global que mudou as orientações?), pediu até desculpas. Outros comentaristas da CBN pareciam confiantes na estratégia de levar Dilma para o centro dos protestos. Mesmo assim, a Globo escondia as manifestações. Tudo confuso. A família Marinho parecia não saber bem pra que lado correr.

Às 19h15, a Globo em São Paulo entrou ao vivo com a manifestação. O repórter dizia: “tudo tranquilo, único prejuízo é para o trânsito”. Pela Globo (na TV aberta) não se tinha noção do tamanho das manifestações que corriam o país. A GloboNews privilegiava a cobertura em Brasília. E aos poucos, a Esplanada se encheu de gente. Manifestantes tomaram por alguns minutos a Cúpula do Congresso (foto acima – Portal Terra).

Record e Band mostravam as manifestações Brasil afora. Pela internet, informações transbordavam pelas redes sociais.

Via twitter, ficamos sabendo que manifestantes ergueram faixas dizendo “Não existe Jabor em SP”.

Haddad também apanhou. ““Haddad eu não me engano / esse aumento tem bico de tucano”, grita a multidão (via @mairakubik, no Twitter).

A idéia de que a manifestação pudesse ser “usada” pela direita ou pelo lulismo não parecia fazer sentido. O mais provável é que as manifestaçõe sejam um sintoma de que algo vai mal no sistema político brasileiro. O país cresceu, os mais pobres foram incorporados no mercado de consumo. Mas os jovens, Brasil afora, mandam um recado claro: queremos mais do que isso.

Quem vai sair vitorioso dessa batalha? A quem interessa?

A direita faz o cálculo: governadores tucanos podem ser atingidos, mas o que interessa é levar Dilma junto. Isso igualaria o jogo político, deixando tudo em aberto para 2014.

Na Espanha (numa conjuntura muito diferente, com desemprego e crise), os jovens ocuparam praças, fizeram barulho e no fim o que vimos? O PP (partido de direita, franquista) foi pro poder.

Na Argentina, o povo gritou “que se vayán todos”. E terminou em que? A esquerda ganhou com Kirchner.

Ou seja, um quadro como esse que vemos no Brasil pode terminar numa vitória rotunda do conservadorismo. Mas pode significar também uma retomada do movimento de massas, a possibilidade de criar um novo modelo de desenvolvimento.

Como vai terminar? Não sabemos. A disputa está nas ruas.

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