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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#CopaPraQuem: Meninos, eu vi o protesto em Fortaleza

Apesar dos artigos que eu precisava escrever e das aulas que precisava preparar, hoje resolvi ir à manifestação #CopaPraQuem em Fortaleza, mais como observador que como manifestante.
Enquanto pude, seja pelo sinal do 3G seja pela carga do celular, transmiti a marcha que se reuniu na Av. Dedé Brasil, em frente ao campus da UECE no Itaperi, e seguiu até as proximidades do Castelão.
No local em que o conflito começou, não tinha sinal do 3G.  Voaram sobre nossas cabeças muitas bombas de gás lacrimogênio.  O efeito é desorientador, mas a solidariedade de todos em redor, partilhando vinagre e alternativas de caminho para quem quisesse se afastar.
Os relatos foram chegando.
Havia, mais uma vez, um grupo violento à frente da manifestação, com pedras, rojões e outros instrumentos que pretendiam usar no conflito contra a PM.  Segundo pessoas que chegaram à frente do protesto informaram, muitos estavam com pedras e as atiravam contra a PM.
E hoje a PM não estava só. Voavam também sobre nós diversos helicópteros, da PM, da PRF e três do Exército.  Havia até um canhão sonoro junto à tropa da Força Nacional de Segurança.
Na hora que os helicópteros nos circulavam com rasante o grupo que estava comigo se assustou. E as bombas continuavam caindo na parte da frente da manifestação.
Torcedores tentavam se aproximar do estádio pela Dedé Brasil.  Muitos deram meia volta.  Adiante, uma barricada com pneus em chamas foi armada.  Depredaram carros e pelo menos um ônibus.
Destaque-se a forte presença de partidos e movimentos sociais - sem gritos de "sem partido" ou de "sem bandeira".  Alguns militantes tentaram dissuadir o grupo violento.
Não estava perto suficiente para saber quem começou a disparar.  Mas a PM disparou bombas indiscrimidamente, independente do fato de que a maior parte dos manifestantes não fazia qualquer menção de avançar contra a barreira policial.
De longe, víamos o Choque e a Cavalaria atuando contra os manifestantes.
O vereador João Alfredo, do PSOL, nos disse que uma das bombas explodiu aos seus pés.  "O efeito do gás é imediato", disse.
Duas certezas me invadiram quando sai de lá.
A PM é truculenta e antidemocrática.  Ela dispara para dispersar uma manifestação, mesmo que a maior parte dela se comporte de maneira democrática.  Indiscriminadamente.
A outra certeza é que continuam os grupos violentos, fora dos partidos e movimentos, que visam desestabilizar e gerar confronto, usando as manifestação como batedores para chegar diante da Polícia.
São essas duas certezas que me assustam.

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