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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#CopaPraQuem: A imagem dos protestos de 2013 e a continuidade na violação de direitos

Essa, em minha opinião, é a imagem mais marcante desse mês de junho de protestos pelo Brasil.
Sílvio Mota, juiz aposentado, é o coordenador da versão cearense do Comitê da Verdade.  Mota militou na Aliança Libertadora Nacional, de Marighella.
Quando as primeiras bombas de gás foram lançadas pela PM contra a multidão de cerca de cinco mil pessoas, o juiz estava sentado bem próximo de mim.  O gás começou a fazer efeito sufocante e eu disse a ele que aquilo era gás lacrimogêneo.  Mota não se moveu.
Mais tarde, ele estava circulando entre os manifestantes.
A cena beira o heroísmo - o heroísmo, aliás, de quem já enfrentara a tortura durante o regime de arbítrio.

Mas o arbítrio não está morto.
Foram cerca de 92 pessoas presas em Fortaleza hoje.
A PM invadiu ruas e casas da comunidade de Serrinha.  Apreendeu ao menos dois adolescentes arrancando-os violentamente de dentro de suas casas.
Uma militante feminista teve seus dreadlocks arrancados e devolvidos junto com seus pertences pessoais.
Houve relatos de tortura contra os detidos no pátio de um supermercado localizado na avenida Dedé Brasil.
Na delegacia a polícia estava apreendendo celulares de presos e de seus familiares.
Na delegacia da criança e do adolescente, advogados estavam sendo impedidos de acessar os meninos apreendidos.  A delegada, também, depois de informar que liberaria todos os detidos, recuou e disse que ficariam a noite inteira detidos.
Quando os advogados ligaram para a Central de Prerrogativas da OAB/CE foram informados de que a entidade nada podia fazer contra a atitude arbitrária da Polícia.
Algo cheira muito mal.

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