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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#CopaPraQuem: A imagem dos protestos de 2013 e a continuidade na violação de direitos

Essa, em minha opinião, é a imagem mais marcante desse mês de junho de protestos pelo Brasil.
Sílvio Mota, juiz aposentado, é o coordenador da versão cearense do Comitê da Verdade.  Mota militou na Aliança Libertadora Nacional, de Marighella.
Quando as primeiras bombas de gás foram lançadas pela PM contra a multidão de cerca de cinco mil pessoas, o juiz estava sentado bem próximo de mim.  O gás começou a fazer efeito sufocante e eu disse a ele que aquilo era gás lacrimogêneo.  Mota não se moveu.
Mais tarde, ele estava circulando entre os manifestantes.
A cena beira o heroísmo - o heroísmo, aliás, de quem já enfrentara a tortura durante o regime de arbítrio.

Mas o arbítrio não está morto.
Foram cerca de 92 pessoas presas em Fortaleza hoje.
A PM invadiu ruas e casas da comunidade de Serrinha.  Apreendeu ao menos dois adolescentes arrancando-os violentamente de dentro de suas casas.
Uma militante feminista teve seus dreadlocks arrancados e devolvidos junto com seus pertences pessoais.
Houve relatos de tortura contra os detidos no pátio de um supermercado localizado na avenida Dedé Brasil.
Na delegacia a polícia estava apreendendo celulares de presos e de seus familiares.
Na delegacia da criança e do adolescente, advogados estavam sendo impedidos de acessar os meninos apreendidos.  A delegada, também, depois de informar que liberaria todos os detidos, recuou e disse que ficariam a noite inteira detidos.
Quando os advogados ligaram para a Central de Prerrogativas da OAB/CE foram informados de que a entidade nada podia fazer contra a atitude arbitrária da Polícia.
Algo cheira muito mal.

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