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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

"Ser sem-terra, ser guerreiro": Minha homenagem à luta do #MST e da #RevoltadoBusao

Natal é cenário da novela "Flor do Caribe".
Em sua trilha, na interpretação de O Teatro Mágico, a "Canção da Terra" de Pedro Munhoz.
Uma homenagem aos movimentos de Trabalhadores Rurais Sem-Terra.
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Fez por fim, então, a rebeldia
Que nos dá a garantia
Que nos leva a lutar
Pela terra
...
Ser e ter o sonho por inteiro
Ser sem-terra, ser guerreiro
Com a missão de semear
À terra
...
Mas apesar de tudo isso
O latifúndio é feito um inço
Que precisa acabar
Romper as cercas da ignorância
Que produz a intolerância
Terra é de quem plantar
A terra
...

Claro que a música, ao entrar na trilha de uma novela, sofre um deslocamento. Seja porque não a escutamos toda seja porque não prestamos atenção ao que diz.
Mas é uma letra muito situada no seio da luta pela terra do MST e da Via Campesina.
...
Com ela, homenageio a união dos trabalhadores do campo com os estudantes da cidade que marcham em luta por seus direitos nas manhãs desses dias em Natal.
E tinha de ser em Natal, berço de lutas políticas como o Levante de 35, mas ambiente da novela em que a música entrou como trilha.
Que Pedro Munhoz nos inspire. Até a vitória.





Tudo aconteceu num certo dia
Hora de ave maria o universo vi gerar
No princípio o verbo se fez fogo
Nem atlas tinha o globo
Mas tinha nome o lugar
Era terra, terra

E fez, o criador, a natureza
Fez os campos e florestas
Fez os bichos, fez o mar
Fez por fim, então, a rebeldia
Que nos dá a garantia
Que nos leva a lutar
Pela terra, terra

Madre terra nossa esperança
Onde a vida dá seus frutos
O teu filho vem cantar
Ser e ter o sonho por inteiro
Ser sem-terra, ser guerreiro
Com a missão de semear
À terra, terra

Mas apesar de tudo isso
O latifúndio é feito um inço
Que precisa acabar
Romper as cercas da ignorância
Que produz a intolerância
Terra é de quem plantar
A terra, terra

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