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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Segundo a Folha, 70% dos empregados domésticos não têm carteira assinada

A estatística mostrada hoje pela Folha de S. Paulo comprova o que eu vinha dizendo: quem reclama da nova lei dos domésticos são aqueles, em sua maioria, que já mantinham uma relação informal e ilegal com seus empregados.
Segundo a Folha, 70 % dos empregados domésticos no Brasil não têm carteira assinada.
Quem não garante os direitos mais básicos de seus trabalhadores vai querer que esses direitos se ampliem?
Para quem assina a carteira desde sempre, como eu, o acréscimo no custo de manutenção do empregado é o FGTS - ou R$ 54,24 para mim.

Na Folha de S. Paulo

A nova lei dos domésticos completa um mês em vigor.

Uma grande parcela dos trabalhadores, -4,6 milhões, ou 70% do total de domésticos do país-, porém, está à margem de qualquer benefício estabelecido pelas novas regras: são os que não têm carteira assinada.

Editoria de Arte/Folhapress


A Folha conversou com domésticos que trabalham pelo menos três dias por semana na mesma residência e, apesar disso, não têm registro. Dos entrevistados, só uma doméstica aceitou ser identificada na reportagem.

A maioria, pela fragilidade da relação trabalhista, tem medo de se expor.

"Pedi muito, mas meu patrão não quis me dar o registro", diz Marcilene da Silva, 28 anos, de Porto Nacional, no Tocantins, que ganha R$ 335 ao mês trabalhando três vezes por semana, quatro horas por dia, para uma família.

"Já dormi no serviço, de segunda a sábado, mas nem assim tive registro", afirma, destacando que os direitos "fariam muita diferença".

Há casos, porém, em que o empregado rejeita a carteira.

Muitos afirmam que a profissão não é valorizada e sentem vergonha de ter essa marca no documento. Outros temem ter a carteira retida pelo empregador caso desejem sair do trabalho, ou anotações negativas no documento.

Por fim, há relatos de domésticos que recebem benefícios do governo e preferem continuar na informalidade para mantê-los.

Ruy Braga, professor da USP e especialista em sociologia do trabalho, diz que o alto grau de informalidade é um problema cultural. "Não se reconhece o doméstico como portador de direitos. Por lei, a responsabilidade da formalização é do empregador."

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