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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#RevoltadoBusao: "Fomos caçados como animais, acuados nas ruas", relata professora da UFRN

A professora da UFRN, Sandra Erickson, divulgou no Facebook uma carta enviada ao jornal Tribuna do Norte:
Caros Srs., 
não foi assim o que aconteceu o aconteceu ontem nas ruas... 
Minimizar a violência extrema e as violações de direitos e garantias constitucionais profundas que ora vige nessa cidade é um grande desserviço e que tem a consequências trágicas de disfarçar o que houve... 
Fomos caçados como animais, acuados nas ruas sem termos para onde ir, sem mais recursos a não ser sofrer a violência determinada, sistemática e feroz que nos vinha de policias armados até os dentes em carros, vãs, motos, brigadas organizadas estilo romano e mesmo cavalos cavalgando sobre nós...Todos fecharam as portas...
Não havia ônibus ou taxis sequer para se poder sair das ruas...
As ruas, digo com horror, foram de propósito isoladas para que ficássemos lá, como ficamos, sendo pegos, como bichos, levando balas de borracha que FEREM SIM nossos corpos, bombas de gás, que FEREM SIM nossos olhos, ameaçados de cassetete e com maquinas de choque... 
Uma coisa nunca vista e sem mídia para nos documentar... 
Ficamos a mercê da violência nua e crua, realizada a céu aberto na cidade... 
Muitos foram presos, não foram apenas "três", muitos foram feridos... 
E que a mídia apenas reporta essa esdrúxula nota é uma desgraça... 
Deveria ser considerado antiético desinformar desse jeito as pessoas da cidade. Ao se recusar expor e documentar os fatos reais, a mídia, é muito óbvio, apoia a violência. Apoia um estado que serve aos interesses privados inclusive a ponto de violar direitos e garantias constitucionais. Isso é muito sério. 
Obrigada, paz, luz & lucidez.

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