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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Muito Além de Bombas e Tiros: #RevoltadoBusao

Por Emanuell Cavalcanti
No Blog do Emanuell

Este texto está muito além das bombas e tiros do dia 15 de maio de 2013 em Natal/RN, quando a Polícia Militar, por intermédio de seu Batalhão de Choque (que se choca com a democracia) e a Polícia Rodoviária Federal feriram de morte todo o Estado Democrático de Direito que pretendemos vivenciar desde 05 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, a constituição cidadã.


Este texto está muito além do valor de R$ 2,40.


Este texto está além da própria licitação que tanto almejamos.


Este texto procura ficar muito além do debate (ridículo) sobre o famigerado Direito de Ir e Vir: afinal, eu tenho o direito de ir e vir em qualquer protesto. E ai?


Este texto está muito além disso porque foca (ou tenta dentro das minhas capacidades cognitivas, que ontem coloquei em discussão, afinal, eu fui tratado como um rato) nas causas do problemas. O que se viu na sombria noite da quarta-feira em Natal são reverberações. São plantas robustas que outrora plantamos.


Somos capazes de grita "A CRFB permite o protesto", mas não somos capazes de sairmos de uma vez das sombras ditatoriais.



Portanto, de onde vêm essas reverberações? É o tema desse texto. Não podemos discutir o preço da passagem stricto sensu sem lembrar de dois temas centrais nesse caso:


Financiamento privado de campanha política e Desmilitarização da Polícia 


A política brasileira é refém hoje do financiamento privado e a saída é o que está em discussão no país, inclusive com projeto de iniciativa popular, para implantar o Financiamento público de campanha gerando mais controle e mais equidade nas lutas legítimas pelo voto popular.


Isso provoca um fato simples: "eu te ajudei a ganhar, e tu me ajudas com a caneta na mão". É a própria prostituição política legitimada pelo nosso voto.


O outro ponto é acabar com o "eu sigo ordens". Os nazistas disseram isso demais (e dizem!).


A maioria dos profissionais da área de segurança defende o fim da integração com o Exército e o fim do regime militar nos quartéis das polícias de contato direto com o cidadão (digamos assim). É assim nas maiores democracias e é uma forma de diminuir abusos, atrocidades e irracionalidades.


O ser humano quando encurralado vira bicho em sua forma mais literal. O ser humano quando fardado e armado já é um bicho. A cena que eu vi ontem do policial correndo atrás dos manifestantes me assustou porque ele corria com o cacetete de uma forma que me simbolizou a frase "vou matar o rato agora", isso tudo antes de bater em uma senhora, professora da UFRN e em uma adolescente da forma mais covarde possível com um chute direto na barriga. Como esse homens deitam e dormem com suas filhas no quarto ao lado eu ainda pretendo estudar.


Mas somos todos vítimas e agentes do sistema. Vi hoje diversos depoimentos (escondidos, claro) de PM´s contrários aos atos grotescos da repressão (repressão é uma palavra que me remete de imediato ao centro do Rio de Janeiro na década de 70 com a cavalaria batendo em estudante). Isso dá esperança. Peço que não caiamos no maniqueísmo a "PM é minha inimiga". Nem eles no "tudo vagabundo". As coisas estão, repito, bem mais além disso.


Enfim, aqui fica nossa contribuição para além do mesmo, para além do preço.


À luta. Sempre.

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