Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Juiz nega ter recebido telefonema sobre a #RevoltadoBusao


A jornalista Anna Ruth Dantas, que responde pela assessoria de imprensa da Justiça Federal no RN, enviou-me e-mail com o retorno sobre o questionamento acerca do suposto telefonema recebido pelo juiz Magnus Delgado da parte do presidente do STF, Joaquim Barbosa. A suposta ligação de Joaquim Barbosa tinha se tornado menos inverossímel com a informação de que a UNE representou contra Magnus no CNJ, presidido pelo ministro:
Magnus "afirmou que jamais, em tempo algum, recebeu qualquer telefonema sobre o referido assunto (da sentença que proibiu a interdição de via pública)".
Duas coisas me chamaram atenção na resposta de Magnus Delgado.
A primeira é que ele não negou que tenha recebido telefonema de Joaquim Barbosa - sua negativa diz respeito a telefonema sobre a questão.  Um mecanismo básico de análise do discurso demonstra facilmente que ao afirmar que não recebeu qualquer telefonema sobre o referido assunto não nega a possibilidade de ter recebido telefonema sobre outro tema - inclusive da parte do presidente do STF.
A segunda questão que se destaca é que, ao não focar sua resposta no ministro Joaquim Barbosa, Magnus parece se defender de uma questão que não foi levantada: de que houvesse recebido telefonema de qualquer pessoa, em qualquer tempo, para tratar do tema.
Essa resposta me lembrou uma cena do filme Todos os homens do presidente (de 1976), que retrata a investigação de Carl Bernstein e Bob Woodward, do The Washington Post, sobre o escândalo do Watergate que redundou, por fim, na renúncia do presidente Richard Nixon.  Bob Woodward foi vivido por Robert Redford no filme (Carl foi papel de Dustin Hoffman).
Na cena, logo depois de os repórteres descobrirem que um ex-agente da CIA e assessor da Casa Branca, Howard Hunt, tinha o número do seu ramal telefônico na sede do governo americano na agenda de dois dos invasores do Watergate, Bob relata sua ida à assessoria de imprensa do governo aos superiores no jornal. E diz que o assessor apressou-se a negar que Howard Hunt ou qualquer representante da Casa Branca tivesse qualquer coisa a ver com a invasão da Sede Nacional do Partido Democrata.
- Não era isso que você esperava que eles dissessem?, pergunta o editor.
- Sim, mas eu não perguntei nada, responde Woodward.
Eu perguntei sobre a suposta ligação de Joaquim Barbosa e o juiz apressou-se a negar que tenha recebido quaisquer telefonemas sobre o assunto.  Isso me faz desconfiar de que, no mínimo, ele possa ter sido acusado de receber ligações sobre o tema.  Ligações da parte de quem?  Empresários? Prefeito? Secretários?

Comentários

Postagens mais visitadas