Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Juiz nega ter recebido telefonema sobre a #RevoltadoBusao


A jornalista Anna Ruth Dantas, que responde pela assessoria de imprensa da Justiça Federal no RN, enviou-me e-mail com o retorno sobre o questionamento acerca do suposto telefonema recebido pelo juiz Magnus Delgado da parte do presidente do STF, Joaquim Barbosa. A suposta ligação de Joaquim Barbosa tinha se tornado menos inverossímel com a informação de que a UNE representou contra Magnus no CNJ, presidido pelo ministro:
Magnus "afirmou que jamais, em tempo algum, recebeu qualquer telefonema sobre o referido assunto (da sentença que proibiu a interdição de via pública)".
Duas coisas me chamaram atenção na resposta de Magnus Delgado.
A primeira é que ele não negou que tenha recebido telefonema de Joaquim Barbosa - sua negativa diz respeito a telefonema sobre a questão.  Um mecanismo básico de análise do discurso demonstra facilmente que ao afirmar que não recebeu qualquer telefonema sobre o referido assunto não nega a possibilidade de ter recebido telefonema sobre outro tema - inclusive da parte do presidente do STF.
A segunda questão que se destaca é que, ao não focar sua resposta no ministro Joaquim Barbosa, Magnus parece se defender de uma questão que não foi levantada: de que houvesse recebido telefonema de qualquer pessoa, em qualquer tempo, para tratar do tema.
Essa resposta me lembrou uma cena do filme Todos os homens do presidente (de 1976), que retrata a investigação de Carl Bernstein e Bob Woodward, do The Washington Post, sobre o escândalo do Watergate que redundou, por fim, na renúncia do presidente Richard Nixon.  Bob Woodward foi vivido por Robert Redford no filme (Carl foi papel de Dustin Hoffman).
Na cena, logo depois de os repórteres descobrirem que um ex-agente da CIA e assessor da Casa Branca, Howard Hunt, tinha o número do seu ramal telefônico na sede do governo americano na agenda de dois dos invasores do Watergate, Bob relata sua ida à assessoria de imprensa do governo aos superiores no jornal. E diz que o assessor apressou-se a negar que Howard Hunt ou qualquer representante da Casa Branca tivesse qualquer coisa a ver com a invasão da Sede Nacional do Partido Democrata.
- Não era isso que você esperava que eles dissessem?, pergunta o editor.
- Sim, mas eu não perguntei nada, responde Woodward.
Eu perguntei sobre a suposta ligação de Joaquim Barbosa e o juiz apressou-se a negar que tenha recebido quaisquer telefonemas sobre o assunto.  Isso me faz desconfiar de que, no mínimo, ele possa ter sido acusado de receber ligações sobre o tema.  Ligações da parte de quem?  Empresários? Prefeito? Secretários?

Comentários

Postagens mais visitadas