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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Homenagem às mães (II): Gonzaguinha, "Grávido"




Grávido...
Porque será que um homem não pode?
querer estar estando sempre ávido
por entender em si a semente
que ele vê na barriga
daquela rapariga
que passa em estado interessante
interessante
nove luas nove meses
tantas transformações
muda a pele tudo muda
tudo vale para ter o fruto
e de repente rebento
abrir a porta a dar a luz
o choro a chama da nossa vida
reluz, atrai, seduz

Ô Mãe como seria ter um filho?
saber passo a passo da relação
à alegria do parto
cuidado pela fêmea
que a todo nós segura
engravidado por ela
na relação da paixão mais pura

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