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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Homenagem às mães (II): Gonzaguinha, "Grávido"




Grávido...
Porque será que um homem não pode?
querer estar estando sempre ávido
por entender em si a semente
que ele vê na barriga
daquela rapariga
que passa em estado interessante
interessante
nove luas nove meses
tantas transformações
muda a pele tudo muda
tudo vale para ter o fruto
e de repente rebento
abrir a porta a dar a luz
o choro a chama da nossa vida
reluz, atrai, seduz

Ô Mãe como seria ter um filho?
saber passo a passo da relação
à alegria do parto
cuidado pela fêmea
que a todo nós segura
engravidado por ela
na relação da paixão mais pura

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