Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

De como nasce o racismo


Ku Klux Klan executava negros nos EUA no século XX

Ninguém engole mais a ideia de que não somos um país racista - a não ser o diretor da Globo, Ali Kamel.
Não temos uma Ku Kux Klan, mas sabemos que os aparelhos repressivos do estado fazem seu mesmo papel - julgar e condenar à morte, extrajudicialmente, de nossa população negra e pobre.
O racismo é um traço cultural, uma tradição transmitida de pais para filhos - seja no ambiente da KKK, seja no nosso universo de uma falsa e ideológica democracia racial.
Sem má intenção alguma, um adulto conversa com uma criança e identifica um de seus amiguinhos como "aquele pretinho".
Ainda que o adulto não queira - ou não se saiba - ser racista, sua diferenciação funciona na cabeça da criança.  Ela aprendeu, ali, a distinguir seus amigos a partir da cor da pele.  E ela entendeu que se o adulto faz isso, ela deve fazer.  A cor da pele passa a ser um fator a partir do qual ela vai se relacionar com as pessoas.  E se o "pretinho" é o diferente no seu círculo de convivência não será muito difícil para que a criança atribua a ele um valor negativo no grupo.  Ela, que nunca repararia na questão da cor da pele se não fosse o adulto que se referiu àquele "pretinho".
Primeiro passo para o racismo.
Mas claro que a expressão do adulto já denota que ele traz em si a diferenciação de raça no trato com as pessoas.  Pode até acreditar que não "discrimina" alguém por ser negro, mas prova que esse elemento prepondera no seu lidar com os outros.  Além disso, o diminutivo da expressão carrega um conteúdo de um discurso histórico e ideológico que não deixa dúvidas sobre sua origem nas relações da Casa Grande com a Senzala.
Racismo não é uma condição inata, mas sim uma construção social. É ideológico, imposto e aprendido. E criminoso. Mais criminoso é quem ensina isso às crianças - ainda mais aos filhos dos outros.
A criança vai passar a justificar suas rejeições pelo significado que atribui à cor da pele ("não gosto dele porque ele é pretinho") e aí sim nascerá um novo racista.
O mesmo processo com relação a outras formas de preconceito que, igualmente, não são inatas mas sim aprendidas.  Homofobia, por exemplo.
Ou formas culturais repressoras, como o machismo (que aliás é primo-irmão da homofobia).
Como lidar, famílias e escolas, com essa questão, esses desafios?
Ainda ativa, a KKK passa sua ideologia de pais para filhos

Comentários

Postagens mais visitadas