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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Vereador natalense defende pena de morte para bandidos, especialmente os "de menor"

Condenado por corrupção na Operação Impacto, Adão Eridan (PR) podia marcar em praça pública e com transmissão ao vivo pela TV Câmara o momento em que se suicidará para fazer valer a tese que defende: "bandido bom é bandido morto".

Por Edmo Sinedino



Fui hoje de manhã à Câmara Municipal de Natal. Resolver um problema sem fim.
Mas não vem ao caso.
Fui até a plenária ver o que estava acontecendo.
Um Audiência Pública para discutir a violência na região leste de Natal, proposta pelo vereador das Rocas, o Ubaldo Ribeiro.
Audiência concorrida, imprensa presente, mas com pouquíssimos representantes do povo. E olha que o assunto super importante.
Estavam presentes Dagô (me disseram que fez um discurso que deu dó sobre o assunto), Jacó, Haroldo Alves e Júnior Grafith.
O presidente Albert Dickson, o homem do “Honras a Deus” também não estava.
Me disseram que Hugo Manso passou por lá e depois saiu.
E depois chegou Adão Eridan. Ele se inscreveu e falou.
Claro, puxando a “sardinha para a sua brasa” falou da violência no bairro que o elege – Felipe Camarão.
E concentrou, para minha surpresa, seu ataque aos integrantes, todos, dos Direitos Humanos de nossa capital.
Era como se a culpa pelas mortes, roubos, assaltos, tráfico de drogas fosse dos lutadores incansáveis, injustiçados dos Direitos Humanos.
No seu dicurso, o de sempre, o vereador, um cara que nada tenho contra, praticamente defendeu em plenária a pena de morte para todos os bandidos, e principalmente os bandidos “de menor”, como ele chamaou.
Fiquei estarrecido.
Mas é essa a nossa representação. Adão não falou de projetos para erradicar o analfabetismo, para tirar as crianças do seu bairro das garras de traficantes; não disse se fez algo, projeto de esporte, música ou poesia, para combater na raiz os traficantes.
Nada disso.
Ele, que deve ter uma ambulância para levar doentes aos hospitais (que não é o correto), que deve ter um ônibus para promover pic-nics (bem novinho) e emprestar para enterros, atribuições que não são de vereadores, deve ser reponsável por uma fundação...
Mas eu pergunto ao vereador Adão Aridan: o que fazer para não ter que matar esses “Bendidos de menor”?
O que fazer para salvar essas crianças das garras da violência, do tráfico, do analfabetismo, dos afastamento da família, do banditismo.
O que fazer vereador?
Qual o seu projeto Adão, qual o seu pleito junto à Prefeitura Municipal de Natal, cobrando, mas cobrando mesmo ação para a defesa das camadas mais desassistidas, essa camada que vê, logo cedo, seus meninos se tornarem reféns do tráfico?
O senhor não disse, vereador.
O senhor só mostrou a receia da brutal violência que gera sempre muito mais violência.
Morrem, vereador, todos os dias, bandidos, policiais, pessoas inocentes, tudo junto e misturado, e mesmo assim, nobre vereador, a violência só aumenta.
Faltam pleitos, faltam projetos vereador, faltam políticos eleitos para combater de verdade, o mal pela raiz.
Políticos realmente comprometidos com o fim dessa brutal desigualdade social, causadora de todos os males.
Infelizmente, vereador Adão, sobram na nossa política os “Felicianos”.

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