Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Rubens Lemos e os elogios de Marin a Sérgio Paranhos Fleury

O elogio de Marin a Fleury combina com Jerome Valcke reclamando do excesso de democracia do Brasil.

Publicado originalmente no No Minuto

Hoje à tarde, em seu blog no UOL, o jornalista Juca Kfouri publicou dois áudios gravados na Assembleia Legislativa de São Paulo quando o atual presidente da CBF, José Maria Marin, era deputado pela Arena. Um dos áudios foi gravado em 1975 e nele Marin endossa o discurso de Wadi Helu contra Wladimir Herzog e a equipe da TV Cultura. Herzog, depois, viria a ser morto nos porões da ditadura.
O segundo, de 1976, é um rasgado elogio ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, "mesmo depois de ele já ter sido denunciado como tal e como integrante do Esquadrāo da Morte", destaca Kfouri.
Os áudios foram encontrados pelo presidente da Comissão Estadual da Verdade, Adriano Diogo (PT).
Sérgio Paranhos Fleury, um dos mais temíveis membros do sistema repressivo da ditadura cívico-militar, cruzou o caminho de meu pai, Rubens Lemos.
A série de artigos publicados por meu pai na Tribuna no fim dos anos 80 e depois republicados no Diário de Natal por ocasião dos 40 anos do Golpe Militar, em 2004, citam o delegado Fleury.
Em 2007, publiquei um texto científico na revista Estudos em Jornalismo e Mídia, da UFSC, sobre os artigos (leia o artigo aqui). No artigo, destacava o relato de Rubens Lemos sobre Fleury:
O próximo que vai infligir sofrimento no corpo massacrado de Rubens Lemos é o delegado Sérgio Paranhos Fleury, ex-diretor da OBAN (Operação Bandeirantes) que, nos anos 60, caçava militantes de esquerda. A presença de Fleury indica que para o Regime aquele corpo destroçado pelas torturas resguardava segredos valiosos na luta contra os subversivos. “Eu estava diante do Delegado Fleury, que veio de São Paulo para me interrogar. E, antes de qualquer pergunta, me desferiu um violento soco no estômago. Caí, como um saco vazio.”
Confesso que me admirei em constatar o que dissera meu pai. Fleury, o segundo homem na escala da repressão, fora a Recife para interrogá-lo. Diante do pouco que sabia da história de militância de meu pai, aquilo me chamou muita atenção. Ali comecei a me perguntar quem era esse homem que precisava ser torturado por Fleury em pessoa?
A história - por muitos apagada - de meu pai no PCBR é capaz de dar uma pista.
Ouvir Marin exaltando Fleury nos áudios divulgados hoje me fizeram tremer.
Fleury era imperdoável. Isso torna, para mim, também imperdoável Marin. Uma afronta à democracia brasileira que ele ainda comande o futebol no país.

Comentários

Postagens mais visitadas