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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

"Roberto Civitta é uma das mais completas bestas que eu conheço", diz Mino Carta

Publicado originalmente no Portal No Minuto

Na noite desta terça-feira, 16, estive no Centro Cultural Dragão do Mar para o lançamento do romance do jornalista Mino Carta, "O Brasil".

O evento foi iniciativa do ex-prefeito, ex-governador, ex-deputado federal e ex-ministro Ciro Gomes (PSB). [Sim, Ciro é ex muita coisa] Na mesa, ladeando Ciro e Mino, o governador Cid Gomes (PSB). Destaque-se que Cid não teve a palavra em nenhum momento do evento.

Ciro apresentou o livro e sobre o que ele disse, escrevo a seguir. Muitas frases de impacto.

Assim como também o Mino deixou muitas frases de impacto. Sobre Civitta, o criador da Veja foi ácido: "Roberto Civitta é a maior besta que eu já conheci". E contou uma história ocorrida cerca de um mês depois que foi trabalhar na Abril para criar a revista Quatro Rodas.

Dizia Mino que ele e o patrão caminhavam pela calçada de uma rua em São Paulo quando Civitta pergunta qual era o seu Quociente de Inteligência. Mino assustou-se, mas disse desconhecer. Civitta, então, afirmou que o seu era tal - um número que Mino Carta não recorda. "E isso é muito?", questionou. "Apenas uma a cada vinte e cinco milhões tem um QI como o meu", respondeu o dono da Abril.

Como na época a população do país estava em torno dos 70 milhões de habitantes, Mino afirmou que, então, só deveriam existir outros dois com QIs tão elevados no país. Roberto Civitta disse que poderia ser apenas ele, uma vez que as estatísticas são generalizantes.

Exemplo da megalomania de Civitta. "Não sou nem nunca serei generoso com o Roberto Civitta", conclui Mino

Porém, Mino falou mais sobre política e jornalismo. Disse, por exemplo, que acredita que Dilma Rousseff (PT) será reeleita em primeiro turno.

Criticou o jornalismo atual, afirmando que aquele praticado há cinquenta anos, ainda que partidarizado como o de hoje, era infinitamente superior. Dentre os jornalistas, disse, "vários são sabujos a serviço dos oligarcas".

Mais de uma vez, o genovês radicado no Brasil desde os doze anos, afirmou e reafirmou o reacionarismo da elite paulistana.

Desanimado com Paulo Bernardo, afirmou que a pauta da regulação da mídia "é uma furada".


Mino é um ícone do jornalismo brasileiro.

Ao fim da noite, peguei meu autográfo e dedicatória: ""Ao colega Daniel, aquele que amansa os leões com abraço bíblico do Mino Carta".

P.S.: No contexto que falamos do livro do Mino Carta, interessante lembrar que no próximo dia 27 serão completados 30 anos da publicação daquela que talvez seja a maior barriga do jornalismo potiguar: o caso do Boimate publicado pela Veja em 1983.

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