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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Repórter da Carta Capital fala da apuração sobre esquema de espionagem

No Comunique-se

A denúncia feita com exclusividade pela Carta Capital revela a situação de Goiás e mostra que o estado precisa da atenção do Governo Federal, é o que diz ao Comunique-se o repórter Leandro Fortes, que assinou a matéria da revista. “É uma situação muito semelhante à vivida pelo Acre na década de 1980 [época em que houve o embate entre fazendeiros e trabalhadores e que o seringueiro e sindicalista Chico Mendes foi assassinado]. É preciso que o governo federal, lance seus olhos para o que está acontecendo em Goiás”.
Reportagem revela esquema de espionagem
orquestrado por Perillo (Imagem: Wilson Dias/ABr)

Segundo o jornalista, a imprensa faz a sua parte, mas “não tem capacidade de fazer isso sozinha”. Nas 450 mensagens a que Fortes teve acesso, “é explicitamente dito que o contrato foi feito em nome do governador Marconi Perillo [PSDB]”. A reportagem divulga suposto esquema de espionagem de políticos e jornalistas, orquestrado pelo governo de Goiás.

Durante duas semanas, Fortes teve acesso a e-mails e DMs (direct messages enviadas pelo Twitter) entre o cracker, conhecido como Mr. Magoo, e o publicitário Gercycley Batista. “Separei essas mensagens por dia, hora e tema, para criar o mínimo de linearidade. Tive acesso digital à informação, que desde quinta [25] é pública, porque foi entregue ao Ministério Público Federal. Recebi a informação por uma fonte de Goiás, apurei, cruzei os dados e verifiquei que eram idôneos”.

Em contato com o Comunique-se, a chefia do gabinete de imprensa do governo de Goiás informa que não teve acesso à reportagem, porque a Carta Capital ainda não chegou ao estado. A equipe diz que “a revista não é muito conhecida por aqui” e indicou que a reportagem deveria entrar em contato com a Secretaria de Segurança Pública e Justiça. O órgão, por sua vez, diz ter tido conhecimento do caso "por meio de um jornalista que procurou a pasta em nome de um veículo de circulação nacional". Por ordem do secretário Joaquim Mesquita, a Polícia Civil abriu inquérito em 8 de abril e os resultados "serão divulgados tão logo a apuração seja concluída".

Sumiço de revistas

A Carta Capital enviou um lote maior de revistas para Goiás do que o usual. Além disso, segundo Fortes, as bancas do estado estão recebendo encomendas antecipadas de cidadãos que querem comprar o impresso. Os jornaleiros também estão tomando o cuidado de anotar os nomes dos leitores que adquirem a publicação dirigida por Mino Carta.

O esquema se deve à experiência vivida em abril do ano passado, quando a revista foi retirada das bancas. Reportagem de capa mostrava o eventual envolvimento do então senador Demóstenes Torres (ex-DEM) e de Perillo com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. “A última vez que fiz uma matéria sobre a presença física da quadrilha do Carlinhos Cachoeira, as revistas sumiram das bancas”.

Na época, denúncias feitas à Carta Capital indicavam que as compras eram feitas por homens que chegavam em carros com placas frias, “possivelmente ligados ao P2, que é o código para o serviço militar secreto brasileiro”, lembra Fortes.

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