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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Repórter da Carta Capital fala da apuração sobre esquema de espionagem

No Comunique-se

A denúncia feita com exclusividade pela Carta Capital revela a situação de Goiás e mostra que o estado precisa da atenção do Governo Federal, é o que diz ao Comunique-se o repórter Leandro Fortes, que assinou a matéria da revista. “É uma situação muito semelhante à vivida pelo Acre na década de 1980 [época em que houve o embate entre fazendeiros e trabalhadores e que o seringueiro e sindicalista Chico Mendes foi assassinado]. É preciso que o governo federal, lance seus olhos para o que está acontecendo em Goiás”.
Reportagem revela esquema de espionagem
orquestrado por Perillo (Imagem: Wilson Dias/ABr)

Segundo o jornalista, a imprensa faz a sua parte, mas “não tem capacidade de fazer isso sozinha”. Nas 450 mensagens a que Fortes teve acesso, “é explicitamente dito que o contrato foi feito em nome do governador Marconi Perillo [PSDB]”. A reportagem divulga suposto esquema de espionagem de políticos e jornalistas, orquestrado pelo governo de Goiás.

Durante duas semanas, Fortes teve acesso a e-mails e DMs (direct messages enviadas pelo Twitter) entre o cracker, conhecido como Mr. Magoo, e o publicitário Gercycley Batista. “Separei essas mensagens por dia, hora e tema, para criar o mínimo de linearidade. Tive acesso digital à informação, que desde quinta [25] é pública, porque foi entregue ao Ministério Público Federal. Recebi a informação por uma fonte de Goiás, apurei, cruzei os dados e verifiquei que eram idôneos”.

Em contato com o Comunique-se, a chefia do gabinete de imprensa do governo de Goiás informa que não teve acesso à reportagem, porque a Carta Capital ainda não chegou ao estado. A equipe diz que “a revista não é muito conhecida por aqui” e indicou que a reportagem deveria entrar em contato com a Secretaria de Segurança Pública e Justiça. O órgão, por sua vez, diz ter tido conhecimento do caso "por meio de um jornalista que procurou a pasta em nome de um veículo de circulação nacional". Por ordem do secretário Joaquim Mesquita, a Polícia Civil abriu inquérito em 8 de abril e os resultados "serão divulgados tão logo a apuração seja concluída".

Sumiço de revistas

A Carta Capital enviou um lote maior de revistas para Goiás do que o usual. Além disso, segundo Fortes, as bancas do estado estão recebendo encomendas antecipadas de cidadãos que querem comprar o impresso. Os jornaleiros também estão tomando o cuidado de anotar os nomes dos leitores que adquirem a publicação dirigida por Mino Carta.

O esquema se deve à experiência vivida em abril do ano passado, quando a revista foi retirada das bancas. Reportagem de capa mostrava o eventual envolvimento do então senador Demóstenes Torres (ex-DEM) e de Perillo com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. “A última vez que fiz uma matéria sobre a presença física da quadrilha do Carlinhos Cachoeira, as revistas sumiram das bancas”.

Na época, denúncias feitas à Carta Capital indicavam que as compras eram feitas por homens que chegavam em carros com placas frias, “possivelmente ligados ao P2, que é o código para o serviço militar secreto brasileiro”, lembra Fortes.

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