Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Depois de me xingar dessa forma,
quais serão as providências do pessoal do Guararapes
em ralação a mim e a meu livro?
Se você pensa que os militares estão conformados com a redemocratização do Brasil, com a instalação da Comissão da Verdade ou em ter uma ex-guerrilheira sentada na cadeira de presidente, leia o e-mail que recebi esta semana de um oficial.
Só a acusação de terrorista contida no texto já me iguala, em periculosidade e desvio de conduta, aos irmãos que atacaram a Maratona de Boston ou, até mesmo, ao próprio Bim Laden, com perdão da imodesta comparação.
O fato de dizer que tenho cara de diabo ou sou comunista frustrado não mexe muito com meu ego, já que acho o demo até charmoso e nunca fui um "comunista" propriamente dito.
Agora, a gravidade do fato é que o referido e-mail não é uma simples ameaça anônima, dessas que viraram febre na internet. A intimidação tem nome, sobrenome, patente militar graduada e endereço eletrônico.
E o que deixou o coronel Antônio Paiva Rodrigues tão irado? Ora, uma singela propaganda do livro Pedro e os Lobos - Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano enviada a sua caixa-postal.
O milico simplesmente não gostou de saber que meu trabalho discorre sobre as mazelas praticadas pelos seus pares durante o regime militar e, de quebra, trata os Anos de Chumbo a partir da ótica da guerrilha.
Ele também deve ter torcido o nariz para o tratamento de herói que dei ao ex-sargento Pedro Lobo de Oliveira e a todos os seus companheiros de luta que atazanaram o governo de coturnos naqueles distantes anos 1960 e 1970.
Na visão de Antônio Paiva, Pedro e os Lobos é um livro nefasto que confunde a mente dos brasileiros.
O perigo maior, entretanto, é a questão não ter parado no gabinete do referido coronel. Ele encaminhou "meu caso" a um oficial mais graduado ― o general de divisão reformado Francisco Batista Torres de Melo, coordenador dum grupo chamado Guararapes ― para a devida tomada de providências.
E, vindas de um general de divisão das antigas, que chefia uma entidade de ultra-direita cujo lema é ― Estamos Vivos!, já imagino quais serão as providências cabíveis.
Portanto, caros perseguidores, se esta for minha última aparição aqui neste espaço ou em qualquer outro espaço existente sobre a face da Terra, se conformem.
A propósito, o coronel em seu e-mail garante que estamos perto de um débâcle. O grifo em amarelo no e-mail, inclusive, é dele. Alguém saberia me explicar o que ele quis dizer com isso?
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