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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Filho de Rubens Paiva quer que governo de SP peça desculpas por assessor

Na Folha de São Paulo

O escritor Marcelo Rubens Paiva, 53, disse nesta quarta-feira (3) que espera um pedido de desculpas do governo de São Paulo pela participação do assessor Ricardo Salles em evento que marcou, na última segunda-feira (1º), a publicação na internet de documentos do extinto Dops, um dos órgãos da repressão durante a ditadura militar (1964-1985).

Nomeado como secretário particular do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Salles é um dos fundadores do movimento "Endireita Brasil" e já criticou publicamente os militantes que lutaram contra a ditadura no país.

Marcelo criticou em seu blog pessoal uma frase atribuída a Salles, em que o assessor teria dito: "Não vamos ver generais e coronéis acima dos 80 anos presos por crimes de 64, se é que esses crimes ocorreram".
Niels Andreas/Folhapress

Ricardo Salles, assessor de Alckmin, em frente a um cartaz do movimento do qual participa


Filho do deputado federal cassado pela ditadura Rubens Paiva, Marcelo tinha 11 anos quando viu agentes da Aeronáutica invadirem sua casa, em 1971, e levarem seu pai para depor no extinto DOI-Codi, no Rio de Janeiro. Desde então, Paiva nunca mais foi visto por seus familiares.

"Está uma palhaçada a reação da direita em relação à forma como eles defendem a ditadura. A minha família se sente completamente ultrajada", disse à Folha o escritor.

Marcelo também criticou o fato de o governo manter o assessor em seu quadro de funcionários.

"Eu quero que o Alckmin me peça desculpas, pela história do partido que ele representa, um partido que foi fundado por pessoas que foram perseguidas pela ditadura", disse, em referência ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ao ex-governador José Serra.

"Ele [Alckmin] é o governador do Estado de São Paulo, não pode ser aliado a esse grupo bizarro", acrescentou.

Salles já publicou em seu blog textos e vídeos em que acusa o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de promover uma revanche contra militares após levar "terroristas" ao "poder".

Em um dos vídeos, publicado em 2010, diz: "Esses que estão no poder, que no passado assaltaram, sequestraram, mataram pessoas na tentativa de instaurar uma ditadura de esquerda, querem o revanchismo."

"Não podemos permitir que essas pessoas tentem fraudar a história [...] para premiar os terroristas de ontem que hoje estão no poder", diz em outro trecho do vídeo.

Pelo Twitter, Alckmin falou sobre a questão. "Comecei na política lutando contra a ditadura, período triste da nossa história e que não devemos esquecer."

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