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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Feliciano diz ser contra o aborto, mas me contou uma história diferente em 2010

Em entrevista ao UOL, o confuso pastor Marco Feliciano (PSC) diz ser "contra o aborto, entre outras razões, por ter presenciado a prática quando era jovem. Sua mãe chegou a manter uma casa clandestina de abortos. Na '12ª semana, estamos falando de um bebê com três meses de idade. Já tem sentimentos. Já sente dor. Abortar uma criança de três meses é assassinato', diz".
Era outubro de 2010 e Feliciano "havia vestido a camisa da eleição de Dilma Rousseff.  Em Natal, eu e outros irmãos organizamos, no segundo turno, o Comitê Evangélico Dilma Presidente.  
Em contato com o Comitê Nacional, organizou-se a vinda de Feliciano a Natal para a campanha.
O principal evento do qual o pastor participou foi uma concorrida reunião em Parnamirim, com a presença do prefeito Maurício Marques (PDT), da então-candidata ao senado Wilma de Faria (PSB), da deputada federal Fátima Bezerra (PT), entre outros.
Após o evento, pela manhã, voltamos ao hotel para buscar sua esposa para um almoço previsto para logo mais com lideranças evangélicas.  Enquanto esperava sua esposa descer, conversava com o pastor.
Foi aí que ele me confidenciou, a partir de experiências que afirmou ter dito no ministério com mulheres que engravidaram, por exemplo, vítimas de estupro, ser favorável ao aborto em casos assim.  Mas disse também que não falaria isso em público - porque jogaria demais a plateia.
"Tudo bem" omitir o que pensa para que os demais não se escandalizem.  Agora, mentir pastor?  Aí são outros quinhentos.  O senhor não é contra o aborto sempre.  Devia deixar isso claro quando falar do assunto.

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