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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

@Bob_Fernandes: "Qual Deus, qual religião prega assassinato como faz esse suposto pastor?"

De manhã, eu havia destacado o fato de que Mãe Menininha do Gantois morreu em 1986 - o que inviabilizaria qualquer contato de Caetano para lhe apresentar "Sozinho"no fim dos anos 90.

Por Bob Fernandes
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Vamos recordar a espantosa coleção de estultices do deputado e pastor Marco Feliciano. Para alguns uma frase dele pode soar espertinha, engraçadinha, mas o conjunto da obra revela seu caráter. Agora ele calunia, mente sobre Caetano Veloso, agride e despreza outra religião, o candomblé.

O pastor mente e calunia ao dizer que Caetano submetia músicas à aprovação de Menininha do "Patuá". O erro no nome, Gantois, é proposital. Profundamente ignorante, desrespeitoso, situa a Ialorixá num tempo em que ela já estava morta, há 12 anos.

Feliciano diz que Deus matou John Lennon: "Eu queria estar lá no dia que descobriram o corpo dele. Ia tirar o pano de cima e dizer 'Me perdoe John, mas esse primeiro tiro é em nome do Pai, esse é em nome do Filho e esse em nome do Espírito Santo'".

Qual Deus, qual religião prega assassinato como faz esse suposto pastor? A não ser quem tenha sérios desvios, que religião debocharia da morte de 5 jovens, como fez Feliciano com o grupo Mamonas Assassinas?

Disse ele sobre a banda que morreu num acidente aéreo: "Um anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças". O que pode existir de mais torpe do que essas palavras de Feliciano?

Talvez, mais torpe seja entregar a própria mãe, dizer que a assistia "arrancar fetos de dentro das mulheres". A mãe de Feliciano desmente, mas, verdade ou mentira, a frase revela o que é a cabeça do filho.

Há quem veja nisso só um jeito "ixpérto" de chamar a atenção. Esperteza à parte, a escolha da frase já escancara a profundidade da doença na alma e na cabeça de Feliciano.

O deputado diz que descendentes de africanos são amaldiçoados, que sentimentos homoafetivos são "uma podridão", e que direitos para as mulheres podem levar à "predominância homossexual". Diz também que antes dele Satanás ocupava a comissão de direitos humanos.

Com ares e fama de quem é "ixpérto", mas parecido mesmo é com um grande beócio, Feliciano segue em frente. Mesmo acusado de estelionato, desfila nesses tempos de lassidão e mediocridade. Até que alguém, quem sabe um dos seus pares, dele se aproxime.

Alguém verdadeiramente religioso, próximo da divindade. Alguém que, com compaixão, chegue para Feliciano e diga a verdade:"Amigo, você não é "ixpérto". Você está é doente, tem uma doença na cabeça e na alma, procure ajuda, Feliciano, vá se tratar".

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