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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A leitura do "Rota 66" e as mudanças ideológicas

Foi um de meus irmãos mais velhos que me recomendou - e me emprestou para a leitura - o "Rota 66", de Caco Barcellos.
Em Rota 66, Caco desnuda a violência policial das Rotas Ostensivas Tobias Aguiar, mostra os esquemas que transformavam vítimas de execução em "bandidos mortos" em confronto, parte considerável deles trabalhadores e estudantes sem passagem policial, cujo único crime era ser pobre e negro.
Caco precisou sair do país depois de escrever o livro.
A PM não mudou muito desde então.
Mas o irmão mais velho que me emprestou o livro mudou bastante. Ele agora defende o que o Rota 66 denunciava.
Ele me ajudou a pensar como penso hoje, mas ele mudou o seu modo de pensar.

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