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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#VivaChavez: O script dos golpes recentes na América Latina

Acabei de assistir, novamente depois de uma tempo, "A revolução não será televisionada", sobre o frustrado Golpe Midiático-Militar promovido contra Chavez em abril de 2002.
Duas coisas me chamaram a atenção hoje.
Primeiro: um dos ministros de Chavez, quando o Golpe está prevalecendo, se lamenta afirmando que seus adversários eram poderosos demais e que eles não tinham feito no governo, uma política de comunicação. Antes, em uma reunião, Chavez reclama que seus ministros não falavam direito e eficiente com a mídia.
Serve de alerta para um país como o nosso em que a mídia se comporta tantas vezes como um partido político e que o governo recua de uma política pública democratizante.
Segunda coisa que me chama atenção é que o script do golpe se assemelha a diversos recentes na América Latina:
1) Como Lugo no Paraguai, Chavez foi responsabilizado pela imprensa, oposição e militares pela morte de dez manifestantes atingidos na cabeça por atiradores de elite;
2) Como Aristide, no Haiti, e Zelaya, em Honduras, havia uma avião pronto para tirar Chavez do país logo depois do Golpe. Como os dois, os golpistas afirmaram falsamente que Chavez renunciara. O avião que tirou Aristide do Haiti era americano, como aquele que tiraria Chavez da Venezuela, caso o povo não enfrentasse o Golpe e o vencesse. Zelaya foi tirado do país de pijamas;
3) Como nos demais países, a oposição foi se consultar em Washington, recebeu apoio dos EUA logo após a derrubada. Em todos os casos, porém mais incisivamente na Venezuela, a mídia participou de forma concreta do golpe e dos governos golpistas. A censura se instalou de imediato.
O script se repetiu, mas o golpe venezuelano fracassou. O povo reagiu.
O mídia operandi dos golpistas se aprimorou também nos últimos anos para refrear a reação popular.
Ensinos para todos nós.
Minha dúvida é sobre quem escreveu esse manual de golpes tão semelhantes? Imagino que as matrículas dos aviões expliquem.

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