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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Rubens Lemos e o exílio

Encontrei meu amigo José Dias sexta-feira à noite no centro.  Eu saia de uma reunião de meu partido, o PCdoB, no IFRN.  Ele, como excelente conversador que é, contava causos hilários e tocantes.  É sempre um prazer conversar com Zé Dias e um assombro conhecer a luta de quem faz cultura com raça em Natal.
Zé me falou em um show em homenagem aos 40 anos do retorno de meu pai do exílio no Chile, em 1974.
Desconheço a festa e qualquer programação alusiva a essa data.
Sistematicamente, eu, meus irmãos, meus tios, primos e outros parentes próximos somos excluídos das celebrações da data.
Disse a Zé que continuasse se envolvendo na festa.  Meu pai, militante da luta armada no PCBR e do PT, partido pelo qual concorreu ao governo do estado em 1982, merece todas as homenagens.
Pena que se queira contar uma história parcial na qual passagens e personagens importantes tendem a ser excluídos.
Mas aqui do meu lado continuo contando histórias como a de Aldemir Lemos, meu primo e seu sobrinho, que sempre esteve a seu lado na luta pela Revolução. Certo dia, Aldemir, a pessoa mais próxima de meu pai nos tempos de militância e clandestinidade, me destacou ter certeza de que meu pai nada abrira sob tortura: "Senão eu tinha caído e nunca caí".  Mas agora Aldemir não estará na festa.
Quarenta anos depois, os exilados somos nós?

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