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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

O jornalismo covarde do submundo da política

Por Rogério Tomaz Jr.
No Conexão Brasília Maranhão

Na época da última ditadura civil-militar, tornou-se comum a figura do “jornalista porta de cadeia”.

Assim como advogados do mesmo gênero, que exploravam a condição desumanizada a que eram submetidos os presos do regime, muitos escribas tinham nas amizades e boas relações com agentes da repressão a grande fonte de suas matérias.

É o jornalismo coprófago, que se alimenta da dimensão mais asquerosa do ser humano, aquela capaz de retirar a condição humana de outro ser humano, prática exercida com maestria por torturadores e carrascos serviçais dos milicos.

Alguns destes, muitos, ainda hoje perambulando impunemente pelos centros de poder, mas sempre olhando assustados para trás e para os lados, receosos de serem vítimas de alguma vendetta.

Nos corredores de Brasília, hoje, em pleno 2013, há herdeiros dessa modalidade de pseudojornalismo.

Ontem (1/3), no Jornal de Brasília, mais conhecido como “jornaleco de Brasília”, uma nota do respeitado* Leandro Mazzini atestou a sobrevivência do gênero na sua coluna “Esplanada”.

Sob o título “Na mira” – clichê mais policialesco, impossível! – está dito:

“A Polícia Legislativa das duas Casas do Congresso está de olho num agitador ligado à deputada Erika Kokay (PT-DF). É um conhecido causador de tumultos.”
Jornalismo porta de cadeia sobrevive em Brasília (Foto: Reprodução do Jornal de Brasília, 01/03/2013)
O “agitador” e “conhecido causador de tumultos” – o Leandro esqueceu do “subversivo” – se chama Rodrigo Grassi. É assessor da deputada petista desde que ela era deputada distrital.

Mais conhecido como Pilha, o “agitador”, ao contrário de covardes que usam informações repassadas por órgãos policiais para fazer ameaças e pressões de origens obscuras, não tem medo de expressar o que pensa.

Quando a blogueira mercenária Yoani Sanchez passou pela Câmara, Pilha esteve lá e reforçou o coro dos que pediram a permissão de entrada irrestrita de todas as pessoas que estavam à porta do local onde aconteceu o evento com a cubana.

Após a “audiência” com a blogueira, Pilha foi fazer perguntas incômodas ao deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), tido como o “Pai do Mensalão”. O tucano, pai inquestionável do “AI-5 Digital”, acabou arrancando à força o celular do atrevido entrevistador e chamou a Polícia Legislativa, dizendo que havia sido agredido**.
 
Foi o bastante para o jornalista Breno Costa, da Folha de São Paulo, transformar em matéria o episódio. O texto de Breno foi quase todo honesto e verdadeiro. Exceto, justamente, pelo “detalhe” que foi o mote principal da matéria: o assessor da deputada Erika Kokay “estava em horário de trabalho”, diz o texto, em sutil tom de denúncia.

Adiante, Breno informa o salário de Pilha. Ninguém precisa ser um Einstein para entender a mensagem: “o sujeito recebe dinheiro público para protestar contra a blogueira cubana em pleno horário de trabalho”.
 
Sobre o ocorrido “denunciado” pela Folha, a deputada Erika Kokay divulgou nota oficial informando que o servidor “não estava em horário de trabalho” e que ela defendia “a liberdade de expressão, que deve servir para todos, tanto para a blogueira cubana como para qualquer cidadão”.

Em que pese a abordagem matreira, pelo menos o repórter da Folha não foi covarde ao omitir o nome do “alvo” de sua matéria.
 
Coragem que faltou ao Mazzini, que difamou uma pessoa como “agitador” e ”conhecido causador de tumultos” sem citar o seu nome. E ainda fez isso usando o empoeirado jargão e fontes do submundo policial (ou político).

*Respeitado especialmente pelos políticos de Brasília, já que possui um programa de televisão e uma coluna de jornal.

**A Polícia da Câmara – muito menos truculenta e bem mais civilizada do que a do SS (Senado de Sarney) – viu as imagens e constatou que, se houve agressão, não partiu do dono do celular, mas do parlamentar.

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