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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Francisco: um Papa e seus símbolos

Francisco de Assis é uma referência de conversão e compromisso com Jesus para todos os ramos do cristianismo.
Sua história de vida exemplar é um desafio a todos os cristãos - e, quiçá, de todos aqueles que cultivam alguma forma de experiência espiritual.
A cena do jovem rico Giovanni di Pietro di Bernardone rasgando suas roupas e assumindo um compromisso de uma vida de compromisso com os mais esquecidos do seu mundo - pobres, leprosos, natureza - é extremamente conhecida e reproduzida.
Sua oração famosa nos desafia a levar o amor onde houver ódio, a levar luz onde houver trevas.
Foi em referência a esse Francisco que o controverso cardeal Jorge Mário Bergoglio, jesuíta, austero e conservador, escolheu o nome que usa agora como Papa católico.
As relações de Francisco, o Papa, com a ditadura argentina, ainda estão nebulosas para mim.  Suas posições conservadoras sobre os direitos das mulheres e dos homossexuais estão nos limites da Igreja que agora lidera.
Mas suas escolhas revelam muito do simbolismo e das mensagens que resolveu transmitir.  O arcebispo que morava num quartinho anexo à catedral onde rezava suas missas.  Que se deslocava de ônibus e de metrô.  Os símbolos vieram daí.
Aí ele escolhe ser Francisco - como que a tirar as roupas diante dos escândalos e opulência da sua Igreja romana.
Aí ele vem ao seu povo na Praça de São Pedro.  "Habemus Papum Franciscum".
Em 1978, Wojtila se apresentou paramentado:
Há oito anos, Ratzinger também se apresentou paramentado ao povo:
Aí chega Francisco e simplifica ao máximo suas vestes:
Minutos antes, ele optou por não ser cumprimentado pelos cardeais sentado no trono.  De pé os abraçou.
Sua cruz não é de ouro.
Em sua primeira missa, diante dos cardeias, utilizou exatamente as suas mesmas vestes.  Como se dizendo um igual:

A mensagem, os símbolos, tudo serve à transmitir uma bela e evangélica mensagem - de compromisso e conversão.
Uma pena que ao lado de tudo isso restem dúvidas sobre seu papel junto aos ditadores argentinos.  E não restem dúvidas sobre seu conservadorismo - seja no que se refere aos gays ou às mulheres.
Ainda restam, no entanto, esperanças.
Boff, aquele que "advinhou" que o novo Papa se chamaria Francisco, reafirma o compromisso do novo Papa com os pobres.  Disse o grande teólogo da libertação, no twitter, que "Francisco não é um nome. É um dos arquétipos mais poderosos do Cristianismo. Ele foi o Primeiro depois do Unico, Jesus.Foi leigo e não padre. Escolher Francisco como nome é escolher um programa:amor aos pobres,à natureza,à sobriedade condividida,à ecologia prque os seres são irmãos".  E, respondendo a um outro usuário, diz que Francisco "nunca rejeitou a Teologia da Libertação porque sempre entendeu a causa dos oprimidos".

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